quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

KAMIKAZES - OS SAMURAIS DO AR

O culto dos heróis é sem dúvida o mais difundido no mundo desde a Antigüidade. Muitas civilizações têm templos e rituais em homenagem aos "mortos pela pátria". 

No país do sol nascente, o Yasukuni jinja, ou "Santuário da nação em paz", receberia as almas dos soldados japoneses mortos em combate. Ele foi construído em Tóquio, em 1869, pelo imperador Meiji, vinculado ao xintoísmo, a religião do Estado, bastante impregnada pelo militarismo. Na história de todas as sociedades humanas, os exemplos de gestos heróicos ou feitos realizados durante as guerras jamais são esquecidos. No Japão, os atos suicidas (jibaku) eram cometidos muitas vezes em caráter individual por soldados carregados com explosivos, que se jogavam sobre as posições inimigas, por aviadores em meio às grandes batalhas aeronavais, tendo na mente o lema banzai "antes a morte que a rendição". Os americanos atribuíam essas atitudes ao "fanatismo".


Os chefes militares japoneses sabiam que o tempo agia contra eles e que a esmagadora superioridade da produção de guerra americana conduzia irremediavelmente à derrota do Japão e, também, à da Alemanha hitlerista. A menos que fossem introduzidas armas novas que revertessem a situação. Em todos os países em guerra, os cientistas desempenhavam o papel de aprendizes de feiticeiro, envolvidos, entre outros projetos, na fabricação de uma bomba atômica. Mas os de Los Alamos, nos Estados Unidos, estavam confortavelmente mais adiantados que seus "concorrentes" alemães de Hechingen e, ainda mais, dos japoneses do centro nuclear de Hunan, na Coréia do Norte. O resultado seria visto em Hiroshima e Nagasaki.

O sonho japonês de levar a guerra ao solo americano ficou patente com o lançamento de 9 mil balões de 10 metros de diâmetro, carregando uma carga explosiva e incendiária de 90 quilos, empurrados para o leste pelos ventos dominantes sobre o oceano Pacífico e que atingiam 300 km/h, acima de 10 mil metros de altitude. Cerca de um milhar deles atingiram os Estados Unidos provocando somente incêndios de extensão limitada. A obsessão era sua eventual utilização na guerra bacteriológica, pois as pesquisas da unidade 731, do general Ishiii Shiro, estavam significativamente avançadas. Mais modestamente, os engenheiros japoneses tinham se inspirado no "torpedo humano" italiano chamado maiale, montado por dois homens-rãs que se soltavam após fixar no casco de um navio inimigo uma carga explosiva de efeito retardado. O engenho japonês, operacional em abril de 1944, chamava-se kaiten (volta ao céu) e, implicitamente, não previa a sobrevivência dos homens-rãs, chamados fukuryu (dragões sorrateiros). 

Batizada de kikumizutai (crisântemos d'água), a operação de 19 de novembro de 1944 pela primeira equipe de cinco homens-torpedos, transportados por três submarinos cargueiros ancorados na ilha Ulithi, entre as Marianas e as Palau, foi um fracasso. Em janeiro de 1945, uma segunda operação contra navios americanos em Guam obteve resultados tão modestos que os kaiten foram abandonados. Como o seriam as sentinelas suicidas Shinyo (agitadores marítimos), que navegavam a 30 nós com duas toneladas de bombas na dianteira.