terça-feira, 10 de maio de 2011

FINAIS PRÁTICOS DE TORRE


ABC DOS FINAIS DE TORRE

GM Victor Korchnoi -
"Xadrez é minha vida!"

Tem sido dito que eu jogo o final de partida muito bem, e que é devido à minha técnica superior que eu tenho conseguido ganhar tantos torneios e matches. Esta foi a razão porque eu fui convidado a escrever um livro de finais, ou mais precisamente, de finais de torre.

A técnica de finais é obviamente importante para todo enxadrista. Não existem muitos livros sobre esta fase da partida, e é duvidoso que eles estejam aptos a dar aos leitores a necessária sensibilidade para jogar os finais. Esta sensibilidade vem primeiro com a experiência, quando um jogador encontrava-se com grande variedade de situações, as quais são como quebra-cabeças, apesar de sua aparente simplicidade, e onde ele tem que fazer uma análise muito cuidadosa. E os finais de torre são bem conhecidos pôr sua enganadora simplicidade.

Existem diversos livros sobre finais de torre, os mais conhecidos sendo os de Chéron, Fine, Levenfish e Smyslov, Euwe e Van Wingerden, e o de Keres. Quando comecei a escrever este livro, socorri-me com estes manuais.

Eu acredito que apenas pedagogos e cientistas natos estão aptos a escrever bons livros de xadrez. Os pedagogos ponderam sobre qual o material que os iniciantes requerem, enquanto o cientista, com sua lógica de aço, destacam os elementos do acaso, em complicadas situações e extrai disso regras rígidas. Quanto a mim, sou um voador prático, e o que me atrai no xadrez não são as regras, mas a exceção à elas, as quais, afortunadamente, ocorrem seguidamente. Incidentalmente, mesmo hoje em dia, a despeito do enorme desenvolvimento da ciência e tecnologia em geral, e da informação sobre o xadrez em particular, o talento de um enxadrista é medido não pelo seu conhecimento das regras, mas pela sua habilidade em encontrar exceções à elas!

Pôr causa disso eu decidi não escrever um novo manual sobre finais de torre, mas principalmente mostrar minha experiência com outros jogadores. Durante mais do que os últimos quarenta anos eu tenho jogado contra fortes oponentes e tenho jogado muitos finais interessantes, os quais são instrutivos para qualquer jogador, não importando seu nível, seja um iniciante ou um Grande Mestre. Mas, mesmo com a ajuda de meus comentários, apenas o leitor que estudou propriamente o básico dos finais de torre estará apto a compreender a maioria das posições dadas. Pôr causa disso, eu começo com um capítulo introdutório, onde demonstro algumas posições típicas, as quais todos devem conhecer e lembrar.

Neste livro eu me restringi a finais com apenas um par de torres no tabuleiro. Se uma posição transforma-se em um final de peões, ou num final de dama contra torre, eu não continuo com uma análise profunda. Mentes inquisitivas podem encontrar esses tipos de finais num livro como o de Reuben Fine "Finais Básicos de Xadrez" . Enquanto trabalhava neste livro comecei a entender porque existem tão poucos livros sobre finais de partidas, em comparação com a teoria de aberturas. não é certamente por falta de demanda - O final de partida é de interesse de todo enxadrista!

Mas é porque consome muito mais tempo escrever um livro de finais . num livro de aberturas, um autor pode chegar ao final de uma variante e concluir: "as brancas estão melhores" ou "com chances iguais" ou "com posição tensa e de oportunidades para os dois lados" ou até mesmo "com posição pouco clara" - E todo mundo fica satisfeito! Mas aqui, num livro de finais, o autor tem que provar porque e como é "empate" ou "as brancas ganham". E o que muitas vezes acontece, é que é mais difícil provar numa folha de papel, do que vencer no tabuleiro!

O principal propósito do meu livro é tentar inspirar o leitor com profundo interesse em finais de torre, e assim estimula-lo a que crie sua própria obra neste campo. Pode mesmo acontecer que renomeados Grandes Mestres, se eles não colocaram muita atenção no estudo dos finais, tornem-se desesperançadamente desorientados nos finais de torre.

Quase no final deste livro dou um exemplo da prática de Grandes Mestres do mais alto nível - do match pelo campeonato mundial em 1978 entre Korchnoi - Karpov - um dos mais complicados finais que eu tenho visto. Comentaristas - fortes Grandes Mestres, eram inábeis de compreender o que estava acontecendo no tabuleiro. Analisar esta posição minuciosamente acabou por estar acima da capacidade de qualquer Grande Mestre. Apesar deste final, poder ser chamado dificilmente de um exemplo "para treinamento", eu considerei meu dever investiga-lo e apresentar minha análise para o mundo do xadrez. Eu não recomendo a ninguém que não tenha pelo menos o título de mestre, tentar compreender este jogo completamente. No entanto estudando o final nos diagramas individuais, o leitor estará apto a apreender alguns métodos úteis...

Victor Korchnoi


 Diagrama 1


Posição de Philidor



A torre preta esta na 6a fila. Ela fica nesta fileira enquanto o peão branco permanece em e5. Mas, assim que o peão avançar, a torre move-se para a primeira linha, então o rei branco não terá proteção contra os cheques da torre preta na vertical. Um empate é inevitável: cheque perpétuo ou perda do peão! 1/2-1/2


 Diagrama 2

Pretas move - empate


O único lance para empatar é 1...Te1! , quando as brancas não conseguem nada com 2.Ta8 Rf7. Uma tentativa mais perigosa é 2.Re6 Rf8! 3.Ta8+ Rg7 4.Te8 [4.Rd6 Rf7] 4...Ta1! e as pretas salvam-se com cheques horizontais na coluna a. As brancas são inábeis para fortalecer sua posição por qualquer meio. Eu gostaria de chamar atenção do leitor mais uma vez para o lance 2....Rf8! Analistas tem demonstrado que também se consegue o empate com 2....Rd8. Mas, em princípio, a torre defensora precisa de espaço para manobrar, e é por isso, como regra, que o rei deve mover-se para o lado estreito do peão passado, deixando o lado largo para a torre. O exemplo seguinte demonstra muito bem a importância do lado largo para a torre neste tipo de final. 1/2-1/2



 Diagrama 3

Posição de Euwe


1...Ta7+ O lance óbvio, Tg1+ está sendo ameaçado. 2.Td7 [2.Rd6 Rf8 levaria ao empate imediato] 2...Ta8 3.Td6! um sutil lance de espera. Agora tanto 3....Ta7+ 4.Re8 seguido por e7, como 3....Tb8? ;4.Td8 Tb7+; 5.Rd6 Tb6+; 6.Rd7 Tb7+; 7.Rc6 Te7; 8.Rd6, as pretas não conseguem salvar a partida. 3...Rg6! 4.Td7 Rg7 5.Tc7 as brancas tentam algo diferente 5...Ta1 6.Re8+ Rf6 7.e7 Ta8+ 8.Rd7 Rf7 9.Tb7 Te8 1/2-1/2




Diagrama 4

Posição de Lucena


1.Te1+ Rd7 O melhor lance. [Se 1...Rf6 as brancas ganham simplesmente com 2.Rf8 .; depois de 1...Rd6 segue 2.Rf8 Tf2+ 3.Re8 Tg2 4.Te7 e o preto não pode evitar a manobra ganhadora Rf8 seguido de Tf7 e g8=D.] 2.Te4! Uma importante manobra. Retirar o rei fora da proteção do peão imediatamente Não resolveria por causa dos cheques nas colunas f-g-h. Agora a torre branca defenderá o rei contra os cheques. 2...Th1 3.Rf7 Tf1+ 4.Rg6 Tg1+ 5.Rf6 Tg2 [ou 5...Rd6 6.Td4+ Rc5 7.Td8 ganhando] 6.Te5 seguido de Tg5, e o peão promove. 1-0



 Diagrama 5

Max Karstedt (de Deutsches Wochenschach, 1909


1.Tc2 Re7 2.Tc8 Rd6! Este lance causa as brancas mais problemas do que 2....Rd7 3.Tb8 Ta1 4.Rb7 Tb1+ 5.Rc8! Tc1+ 6.Rd8 Th1 7.Tb6+ Rc5 8.Tc6+! apenas este lance ganha. Depois de [8.Ta6 Th8+ 9.Re7 Th7+ 10.Re8 Th8+ 11.Rf7 Ta8 12.Re7 Rb5 13.Ta1 Rb6 14.Rd6 Txa7 15.Tb1+ Ra5! o jogo esta empatado.] 8...Rd5 [8...Rb5 9.Tc8 ...] 9.Ta6 Th8+ 10.Rc7 Th7+ 11.Rb6 e as brancas ganham. 1-0



 Diagrama 6

Brancas jogam ganham-Pretas jogam empatam


Para ganhar, o branco deve apoiar o peão com o rei! Por causa disso se é o branco que tem o lance ele joga 1.Tb8! Ta1 2.Tb6 então vem a marcha do rei até b7 ganhando facilmente. Se no entanto, são as pretas que jogam, elas podem impedir a marcha do rei branco. Entretanto não com 1.... Ta1?, pois depois de 2.Rc5 o rei alcança a7, e as brancas ganham como no diagrama anterior. Correto, pelo contrário, é 1...Te6!; 2.Rc5 Tf6. Agora, se 3. a7 segue 3... Ta6 empatando, enquanto que depois de 3.Rb5 as pretas dão cheques na horizontal para afastar o rei do peão, e então retornam com sua torre a 6a fila - empate! 1-0



Diagrama 7

Chéron (1923), 1927


O rei defensor esta cortado e não pode alcançar a coluna do peão passado. No entanto, devido a posição favorável de sua torre, as pretas podem evitar o avanço do peão e, com jogo preciso, salvar a partida. 1.Td4 As brancas não conseguem nada com 1.Ra4. O preto da cheques frontais, forçando o rei, que não pode abandonar o peão, retornar a b3. 1...Re5 2.Rc3 Tc8+ 3.Tc4 Tb8 4.Tc6 Rd5 5.Ta6 [se 5.Tc5+ segue 5...Rd6 6.Rc4 Th8 ou (6...Ta8; 6...Rd7? seria um erro: 7.b5 Tc8 8.b6! e as brancas ganham.) 7.Rb5 Tb8+ 8.Ra4 Ta8+ 9.Ta5 Tb8 10.Ta7 Rc6 , em cada caso com empate.; se 5.Th6 (em vez de 5.Ta6), então, como foi demonstrado por Euwe, 5...Ta8 é bom, quando as brancas são inábeis para reforçar sua posição.] 5...Tc8+ 6.Rb3 Tc6! 7.Ta8 Rd6 ou 7.Ta7 Tc1 e o rei preto alcança a coluna do peão inimigo. As brancas também não conseguem ultrapassar as defesas do oponente com: 1.Td2 depois de 1... Re5; 2.Td7 Re6; 3.Tc7 Rd6; 4.Tc5 Rd7; 5.Ra4 Ta8+; 6.Ta5 Tb8; 7.Ta7+ Rc6; 8.Ra5 Tb5+; 9.Ra4 Tb8 o resultado é um empate. 1/2-1/2



 Diagrama 8

Grigoriev (1937), 1937


Comparado com o diagrama 7, aqui o rei branco tem mais espaço para manobrar, e isso permite-lhe fortalecer sua posição decisivamente. 1.Rb4 Tb8+ 2.Ra5 Tc8 3.Rb5 Tb8+ 4.Ra6! (Este é o X da questão) 4...Tc8 5.Tc1 Re7 6.Rb7 Tc5 7.Rb6 Th5 [7...Tc8 8.c5 Tb8+ 9.Rc7 e as brancas ganham.] 8.c5 Rd8 9.Td1+ Rc8 10.Tg1 Th8 11.c6 Rb8 12.Tg7 Tf8 13.Tb7+ Rc8 14.Ta7 e as brancas ganham. 1-0



 Diagrama 9

Posição de Levenfish


Dois peões passados e unidos usualmente asseguram a vitória, mas se o rei defensor está apto a bloquear os peões, o ganho torna-se difícil ou mesmo completamente impossível. Em qualquer caso o rei ou bando forte deve apoiar os peões. Se ele esta cortado, como nesta posição, uma vitória está fora de questão. 1/2-1/2



Diagrama 10

Kling e Horwitz (1851), 1851


Aqui o rei do lado forte não está cortado, mas no entanto as brancas não podem ganhar, por exemplo: 1.Td4 Tb6 2.Td8 Tb4+ 3.Re5 Tb7! Ameaçando agora tomar o peão de g5. 4.Tg8+ Rh7 5.Td8 entrar num final de peões com 5.Tg7+ é obviamente inútil. 5...Rg6 6.Rf4 Tb4+ 7.Re3 Tb7 8.Td5 Tb6 e as brancas não fizeram nenhum progresso. 1/2-1/2



Diagrama 11

Estudo de Emanuel Lasker Em "Deutsches Wochenschach", 1890



A vantagem branca aqui vem da proximidade do rei de seu próprio peão. Em contraste, o rei preto está a uma longa distância de seu próprio. Mesmo assim, a primeira vista, a posição parece um claro empate, mas de fato as brancas tem uma elegante forma de ganhar. 1.Rb7 Tb2+ 2.Ra7 Tc2 3.Th5+ Ra4 o rei preto esta forçado a retroceder sempre na coluna a. 4.Rb7 Tb2+ 5.Ra6 Tc2 6.Th4+ Ra3 7.Rb6! agora o branco ameaça 8.Txh2. Contra isso o preto só dispõe de cheque. 7...Tb2+ 8.Ra5! Tc2 a conclusão é bonita: o branco procura uma posição em que as três peças pretas estejam na mesma linha, o que lhe permitirá forçar o ganho. 9.Th3+ Ra2 10.Txh2 Txh2 11.c8D com vitória no final de dama contra torre, o qual não analisamos em detalhe(ver prefácio). 1-0



 Diagrama 12

Capablanca - Tartakower, 1924

[Nova York - 1924]


A atividade da torre é um dos mais decisivos fatores nos finais de torre. Mas para conseguir a ação coordenada de todas as peças atacantes - rei, torre e peão passado - é muitas vezes necessário sacrificar diversos peões. Isto é exatamente o que acontece nesta famosa partida de Capablanca. 1.Rg3 Txc3+ 2.Rh4 Tf3 [Como já apontou Reuben Fine, 2...Tc1 apresenta maior resistência, se bem que mesmo assim depois de 3.Rh5 as brancas ganham, ex: 3...c5 4.Td7 cxd4 (se 4...c4 então Rg6-f6 ganha) 5.Txd5 Td1 6.Rg6 d3 7.Rf6 Re8 8.g6 d2 9.g7 e assim por diante; também mais forte era 2...a6!? com a ideia de ...b5, como sugerido recentemente por analistas russos, o que coloca em questão a vitória branca. No entanto, isto não desmerece o esplêndido jogo de Capablanca, e não diminui a importância deste exemplo para as futuras gerações de estudantes. ] 3.g6! Txf4+ 4.Rg5 Te4 relativamente o melhor - a torre tem que retornar a primeira linha. 5.Rf6 Rg8 6.Tg7+ Rh8 7.Txc7 Te8 8.Rxf5 Te4 9.Rf6 Tf4+ 10.Re5 Tg4 11.g7+ Rg8 12.Txa7 Tg1 13.Rxd5 e o peão passado d decide a partida. 1-0



 Diagrama 13

Alekhine - Capablanca(Bueno Aires-1927), 1927

[Campeonato Mundial - 34a partida]


Se nós temos um peão passado distante é melhor colocar a torre atrás dele. Uma das peças oponentes - rei ou torre - deve bloquear o peão passado, desta forma ela não poderá tomar parte do jogo em outra parte do tabuleiro. Se o peão pode ser avançado, isso aumentará a esfera de atividade da torre. O diagrama 13 mostra a posição depois de 54.Tf4-a4. As brancas ganharam no 82o lance. Como regra, colocar a torre atrás do peão passado distante nessas situações assegura a vitória ao lado mais forte. 1-0



 Diagrama 14

Mecking - Korchnoi (Augusta 1974), 1974

[Torneio de Candidatos - 8a partida]



Se as posições da torre estão invertidas(com relação ao diagrama 13), de maneira que a torre defensora está atrás do peão passado, é mais provável que o lado forte não consiga mais do que um empate. Um exemplo é o diagrama 14 depois do lance 35 das brancas. A torre branca vai para a6 o mais rápido possível quando a sua atividade equilibra as chances. O jogo terminou empatado no lance 55. 1/2-1/2



 Diagrama 15

Lasker - Rubinstein, 1914

[São Petersburg - 1914]

O poder da torre apoiando um peão passado por trás é demonstrado neste exemplo clássico. O material é igual e bastante pouco - apenas dois peões para cada lado - mas a diferença na atividade das torres, mais a potencial mobilidade do peão passado, é tão grande que as pretas são inábeis para salvar a partida! O leitor deve também ser lembrado que esta partida foi jogada entre os dois maiores finalistas do início do século XX! 1...Tf6 [Normalmente, a melhor chance para salvar este tipo de posição é substituir a torre, que esta bloqueando o peão, pelo rei. Aqui, no entanto, isto não resolve, já que depois de 1...Rd6 2.Rd4 Re7 3.Te1+ o mais forte (o branco não joga 3.Rxd5? Tc8!) 3...Rf6 4.Te5! quando cedo ou tarde ele ganha ambos os peões(e com eles a partida).; e se 1...d4 2.f6 Rd5 3.f7 Re5 4.b4 Rd5 a seguinte e bonita manobra é decisiva: 5.Tf4! Re5 6.Te4+ Rf5 7.Te1! agora 7...Rf6 perde para (enquanto que depois de 7...Txf7 8.Tf1+ o branco troca as torres e ganha o final de peões.) 8.Rxd4 Td8+ 9.Rc5] 2.Tf4 b4 depois de [2...d4 o branco ganha com 3.Re4 (a torre preta agora não dispõe de cheque na coluna e); e se 2...Rd6 segue 3.Rd4 (como dois dois lances depois na partida) com conseqüências similares.] 3.b3 Tf7 4.f6 Rd6 5.Rd4 Re6 6.Tf2 Rd6 7.Ta2! Tc7 8.Ta6+ Rd7 9.Tb6 e agora se: 9...Tc3 segue 10.Txb4 Tf3; 11.Re5 Tf1; 12.Tf4 Txf4; 13.Rxf4 Re6; 14.f7 Rxf7; 15.Re5 e o final de peões está facilmente ganho (variante de Reuben Fine). por causa disto as pretas abandonaram. 1-0



 Diagrama 16



A teoria estabelece que dois peões isolados nas colunas de bispo e torre não asseguram a vitória, por isso estes finais tem características de empate. Mas jogadores práticos sabem que as exceções aqui são certamente mais numerosas que as posições "normais", especialmente se o rei defensor está cortado na 8a fila, quando o lado mais fraco quase sempre perde. este é o caso aqui. Mesmo com o fato de que é das pretas o lance, não é suficiente para salva-las. Estou citando o diagrama e a sua solução (de forma abreviada) do livro "Finais de Torre" de Levenfish e Smyslov. 1...Tg1+ 2.Rf6 Th1 [se 2...Tf1 ,então 3.Tg7+ Rh8 4.Te7! Rg8 5.Te8+ Rh7 6.Re6 Ta1 7.f6 Ta6+ 8.Rf5 Ta5+ 9.Te5 ganhando; ou 2...Ta1 3.Te7 Ta2 4.Re5 Te2+ 5.Rd6 Td2+ 6.Re6 Te2+ 7.Rd7 Td2+ 8.Re8 Tf2 9.Te5 Rh7 10.Rf7! Rxh6 11.Te6+! Rh7 12.f6 Ta2 13.Rf8 ganhando] 3.Tg7+ Rf8 [isto da maior resistência do que 3...Rh8 o qual perde depois de 4.Te7 Txh6+ 5.Rf7 Ta6 6.f6 Rh7 7.Rf8+ Rg6 8.f7 Rf6 9.Rg8!] 4.Rg6! Tg1+ 5.Rh7 Tf1 6.Ta7! Tg1 [6...Txf5 7.Rg6 Tf1 8.Ta8+ e ganha] 7.f6 Tg2 8.Tg7 Tf2 9.Rg6 seguido por h7. Depois de analisar um final similar, Mikhail Botvinnik recomendou o seguinte método de defesa: "se as brancas avançaram sues peões a f5 e h5, então o rei preto deve manter-se em f7. Se a ameaça então é confiná-lo a última linha, ele pode ir a g7, para garantir sua fuga a h6. A torre preta está melhor estacionada em a1..." (citado de Levenfish e Smyslov). O próximo exemplo, emprestado do livro "Het Einspel" de Euwe e Van Wijgerden, deve mais ou menos demonstrar a aplicação do conselho de Botvinnik na prática. 1-0



 Diagrama 17

Euwe indica três tentativas para ganhar. I. 1.f6+ [II. 1.h6+ Rh7 (1...Rf7? 2.Th4 e as brancas ganham.) 2.Te4 Tg1+ 3.Rf6 Ta1! 4.Te8 (... Euwe aponta que depois de 4.Te6 o preto deve jogar 4...Tf1 com a continuação 5.Re5 Tf2 6.f6 Rg6 7.h7 Rxh7 8.Rd6 Ta2 9.Re7 Ta8 empate) 4...Ta2 5.Rf7 Rxh6 6.f6 Ta7+ e assim por diante com um empate.; III. 1.Tg3 Tb1 2.Rh4+ (depois de 2.Rf4+ Rh6 3.f6 Tb4+ o rei branco não tem proteção contra os cheques horizontais) 2...Rh6 3.Tg6+ Rh7 4.Rg5 (outra ideia é 4.f6 depois de 4...Tb6! (o mais exato) 5.f7 Tb4+ 6.Rg5 Tb5+ 7.Rf6 Tb6+ 8.Re5 Tb5+ 9.Rd6 Tb8 10.Te6 (ou 10.Tf6) 10...Rg7 o branco não consegue nada) 4...Tg1+ 5.Rf6 Ta1 6.Tg7+ Rh6 7.Te7 Ta6+ 8.Te6 (ou 8.Rf7 Rg5 ganhando o peão de f.) 8...Ta7 9.Re5+ Rxh5 com um empate] 1...Rf7 2.h6 Ta5+ [2...Th1? este lance perdedor foi feito pelo jovem Smyslov, mas Bondarevsky, outro forte finalista, falhou em puni-lo como segue: 3.Tg3 Th2 4.Tg1 Th3 5.Ta1! Tg3+ 6.Rh4 Tg2 7.h7 Th2+ 8.Rg5 Tg2+ 9.Rf4 Th2 10.Ta8 Txh7 11.Ta7+ ganhando o restante final de peões.] 3.Rh4 Ta1 4.Rh5 Ta5+ 5.Tg5 Ta1 as brancas não conseguem melhorar sua posição. Este "ABC dos Finais de Torres"pode ser ampliado muito mais, mas eu não desejo realmente reescrever exemplos de manual. Se estas dezessete posições dadas por mim não satisfazem a curiosidade do leitor, ele pode encontrar mais em qualquer manual de xadrez e mesmo muito mais nos livros mencionados por mim no prefácio. Vamos agora a alguns exemplos práticos de minhas partidas. Nem todos são fáceis de explicar, e ainda menos fáceis de entender. No entanto qualquer um que compreender minuciosamente o material dado, eu prometo, aumentará seu rating ELO em 100 pontos, ou talvez até mesmo mais! 1/2-1/2