quinta-feira, 4 de outubro de 2012

UMA LIÇÃO DE TIGRAN PETROSIAN

  A TÉCNICA SUPERIOR DE TIGRAN PETROSIAN

O que é a técnica, técnica enxadrística?
Esta compreensão se encontra na maioria das vezes nos livros, nos informativos sobre competições, em revistas, etc... Não é raro que se possa ouvir, que este ou aquele enxadrista tem uma tática excelente, ou pelo contrário que este enxadrista tem fraqueza na técnica de realizar a vantagem. Fui ao dicionário de xadrez que todos conhecem, e ali se lê: "Técnica é o domínio do procedimento de direção da luta em posições típicas, e em particular, a habilidade para aproveitar pelo procedimento mais breve a vantagem obtida. A execução do objetivo de uma série de posições do xadrez com o bom domínio da técnica adquire um caráter mais ou menos mecânico. Onde mais claramente se manifesta a técnica é no final, onde na maioria das vezes se encontram posições típicas". Desde logo semelhante definição, interpretando a técnica como algo mecânico, pode levantar protestos quando alguem propõem, digamos, que Petrosian tem uma boa técnica. Só é indubitável, que não tendo uma técnica enxadrista em todos os seus aspectos, é difícil ser um bom enxadrista. Também se pode ir direto ao aproveitamento da vantagem posicional, ou o meio de realizar a vantagem em posições típicas, ou a realização da vantagem material. Repito que o enxadrista que não tem uma boa técnica não pode jogar bem. Pois o dicionário oferece uma técnica determinada, caracterizada por algo modelo, como dizer uma técnica mecânica, que a um grande nível nem sempre é exata.


Petrosian e Bannik analisando sua partida 1958


Petrosian,T - Bannik
XXV Campeonato da URSS Riga, 1958
[Petrosian,T]



Na posição do diagrama acima, as brancas tem uma clara vantagem posicional. É necessário encontrar um plano para aproveitar esta vantagem, levar a cabo algum método de luta, em uma palavra, revelar a técnica. Pois antes de começar nossa análise, de raciocinar sobre esta posição concreta, falarei de uma anedota da história do xadrez. Quando minha geração e eu aparecemos no xadrez de elite, havia muitos velhos enxadristas da geração que havia chegado a enfrentar-se com o legendário cubano, José Raul Capablanca, que entrou para a história não só como famoso jogador de xadrez, e sim como um famoso técnico do xadrez. Em 1935 tomava parte no torneio internacional de Moscou. Um dia durante a cena se aproximaram dele dois experimentados mestres soviéticos e lhe pediram conselho. Estes mestres se dirigiram respeitosamente ao grande mestre e lhe pediram ajuda para encontrar a resposta exata a uma posição de uma partida suspensa. Capa, que parecia que lia um jornal, se voltou, analisou um momento a posição e disse: "Esta peça é necessário troca-la, esta outra tem de leva-la até ali e esta aqui." E logo os mestres agradeceram a clarividência dada pelo legendário Capablanca. Imagine que você é uma espécie de "Capablanca". Voltamos a posição e perguntamos o que deve fazer as brancas, como proceder uma disposição ideal das peças e realizar a vantagem? Provavelmente, o raciocínio será este: deixar o cavalo contra o bispo e trocar as torres. Para isso é necessário tomar em d8 e jogar a torre em d1 e junto a isto não há de duvidar em tomar em b6, do contrário as pretas podem retirar o cavalo Cb6-c8. Imaginando que conseguimos trocar todas as peças sobrantes. A melhor posição que se pode obter para as brancas é o cavalo em f5 e o rei em e4. Pois já esta ganho? O enxadrista experimentado sempre enraizado na técnica, rapidamente considerará o final de cavalo contra bispo, pensando: Sobre a hora de penetrar na fortaleza do adversário? Desde logo o rei preto tem suficientes possibilidades para com as casas e6 e f7 e controlar os sítios mais vulnerável da sua posição. Desta maneira, tendo clara vantagem, há possibilidades de não transformá-la em um ponto. Em que nos baseamos para a correta avaliação da posição? A vantagem das brancas esta devida antes de tudo a posição dos três peões e5,f6 e g5 que estão dispostos em casas pretas. Se sucederia o passo ao final de cavalo contra bispo, então precisamente por este motivo o bispo tem tendência a ser mal. Não obstante voltamos a atenção para o número de peões que estão na casas de cor oposta. Vemos que dos sete peões, há um mínimo de três(já que o peão a7 pode ir a a6). e eles podem colaborar com o bispo e criar uma fronteira defensiva. Se pode dizer com toda certeza que ganhar esta posição é muito, muito complicado, pode ser que impossível. Em outras palavras, tomando o método geral, a habitual técnica mecânica, é duvidoso que obtenhamos a vitória. É necessário mirar com considerável profundidade, jogar com mais refinamento e astúcia. 1.Ac5! ao decidir por essa jogada foi imprescindível avaliar cuidadosamente todos os pros e os contra. Parece ilógica, já que as brancas trocam seu bispo bom pelo bispo mau do inimigo. Pois tendo em conta o raciocínio feito mais acima. 1...Txd1+ 2.Txd1 Axc5 pelo visto obrigado, já que do contrário o peão f6 ficará tomado. E se o bispo se retira a d8, então reforçam a posição, jogando 20.g4. 3.Cxc5 Te8 é evidente que o cavalo e a torre brancas tem uma interação excelente. 4.Ce4 as brancas trocaram o bispo mau preto, pois em troca receberam a possibilidade de criar ameaças diretas. Em nosso caso o cavalo em b6 não é melhor do que o bispo. 4...Te6 a torre ocupa uma posição torpe. Entretanto não é mais forte: [4...Tf8 5.g4 Tf7 6.Td6 Cd7 7.Te6+/- . as peças brancas penetram facilmente no campo inimigo, e só encontra a maneira de aumentar sua vantagem posicional. ] 5.g4 a5 as jogadas semelhantes sempre é necessário dirigir-se criticamente. Leis da defesa: em uma posição mal é preciso não criar novas debilidades, na maioria provocadas por cada avanço de peão. Pois aqui as pretas tomam medidas profiláticas contra o avanço dos peões do flanco dama e a obtenção por parte das brancas de uma grande vantagem de espaço. 6.Td3 Cd7 7.Rc2 b6 em caso de que as brancas podem jogar c4-c5. 8.Tf3 Rd8 9.a3 as brancas ameaçam jogar b3-b4, e mais tarde, dependendo das circunstância, c4-c5 ou b4-b5, e também por trás das trocas de peões (ab, ab) a torre atuará na coluna "a". 9...c5 10.Rc3 Re7 11.Td3 Tc6 12.Td5 Cf8 as pretas estão privadas de qualquer contra jogo. Neste casos se deve reforçar ao máximo a posição de suas peças. 13.Cg3 Ce6 14.Cf5+ Re8 15.e3 uma jogada simples, pois eficaz. Impede o cavalo preto de ocupar as casas d4 e f4. 15...Cc7 provavelmente é depois desta jogada quando o resultado da partida não oferece nenhuma dúvida. Considerando que as pretas têm muitas debilidades pela coluna "d", em especial a casa d6, era melhor ter transportado o cavalo a f7(Ce6-d8-f7) e passar a organizar uma forte defesa. 16.Td1 Ce6 17.Rd3 Tc7 18.Re4 Tc6 dá a impressão de ganhar esta posição todavia não é muito simples. As pretas há formado tal barricada que não se vê como ganha-la. Não tinha sentido arriscar-me, e num pequeno aperto de tempo repeti jogadas: 19.Cd6+ Re7 20.Cf5+ Re8 21.Cd6+ Re7 22.Cf5+ Re8 23.a4 Cd8 nesta posição a partida foi suspensa. Se o turno de jogadas corresponde-se as pretas, tenderiam para jogar Cd8-f7, pois ... 24.Ch6 jogada selada. 24...Ce6 [24...Te6 seguiria 25.Rf5 (ameaçando Td8) 25...Tc6 26.Cg8+-; 24...Re7 25.Cg8+ Re8 26.Rf5 conquistando o peão de f6.; 24...Cb7 25.Cg8 Rf8 26.Td7+- a posição preta não têm esperanças. Por isso a resposta é obrigada. ] 25.Cg8 Cf8 [depois de 25...Rf7 , as brancas ganham continuando 26.Td7+ Rxg8 27.Rd5] 26.Td2! 

as pretas estão totalmente em zugzwang. [26.Rf5? Rf7 27.Ch6+! Rg7 28.Td8 Ce6 29.Te8 Cc7 e as brancas inesperadamente perdem o cavalo.] 26...Rf7 [em caso de 26...Cd7 (mantendo-se em uma defesa passiva) as brancas, continuando 27.Rf5 Rd8 28.e4 Re8 29.f3 Rd8 30.Txd7+! Rxd7 31.Cxf6+ , ganhando facilmente. ] 27.Ch6+ Re8 28.Cf5 Ce6 agora todas as variantes terminam em zugzwang. [se 28...Cd7 , então ante tudo ganha 29.Rd5 Cb8 30.Ch6 (a torre preta esta escravizada na defesa da 6a horizontal) 30...Rf8 (30...Re7 31.Cg8+ Rf7 32.Re4!) 31.Re4! Re8 32.Rf5 Cd7 33.Cg8 , levando ao jogo a variante já indicada no comentário precedente. ] 29.Td6 força o passo a um final de cavalos que se ganha facilmente, já que decide a invasão do rei branco a d5 ou f5. 29...Txd6 30.Cxd6+ Rd7 31.Cb5 Cg7 [depois de 31...Cf8 as brancas ganham continuando 32.Rf5 Re7 33.Cc3 Cd7 34.Cd5+ Rf7 35.e4 h6 36.f3! e as pretas estão em zugzwang. ] 32.h6 Ce8 33.Rd5 de novo zugzwang! o resto não precisa de explicações. 33...f5 

34.Rxe5 fxg4 35.Cc3 Re7 36.Ce4 Rf7 37.Rf5 g3 38.fxg3 g4 39.Cg5+ Rg8 40.Re6 Cc7+ 41.Rd7 Ca6 42.e4 Cb4 43.e5 Cd3 44.e6 
as pretas se rendem. 
Assim chegamos em resumo. A maioria sucede que em posições técnicas é necessário tomar alguma decisão original e especial, que resulta a única correta. O final analisado nesta lição é suficientemente característico e desde logo, reconhece sua utilidade. Ao princípio, na posição havia dois planos: o primeiro, técnico esteriotipado, isto é trocar todas as peças e deixar o cavalo contra o bispo; o segundo, o sucedido na partida. 1-0