segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

MINHAS PARTIDAS SELETAS


MF Carlos Pinto

MF Iack Macedo

Esta partida foi jogada na última rodada(nona) do I Torneio Aberto Xadrez Potiguar, que contou com a participação de fortes jogadores com rating FIDE de vários estados do Brasil, como: Amapá; Pernambuco; Paraíba e Rio Grande do Norte. Valeu-me após a vitória o título da competição. Interessante foi a luta teórica, que pela segunda vez realizamos no mesmo ano, entre eu e Iack com a variante Winawer da Defesa Francesa.

Pinto,Carlos - Macedo,Máximo Iack [C17]
I Aberto Xadrez Potiguar Natal (9), 04.06.2006
[Pinto,C]



1.e4 e6 2.d4 d5 3.Cc3 Ab4 4.e5 c5 5.Ad2 Ce7 na partida do Torneio anterior I etapa - Circuito Potiguar Absoluto, Iack jogou aqui 5...Cc6. Agora esta opção não parece ser melhor. 6.Cb5 Axd2+ 7.Dxd2 0-0 8.dxc5 Cd7 9.Dc3 [a alternativa 9.f4 Cxc5 10.Cd6 f6 11.De3 Da5+ 12.Dd2 Dxd2+ 13.Rxd2 fxe5 14.fxe5 Tf2+ 15.Ce2 Cc6 16.g3 Cxe5 17.Ah3 Ad7 18.Taf1 Taf8 19.Txf2 Txf2 20.Re1 Tf6 21.Cd4 Cc6 22.Cb3 Cxb3 23.axb3 Cd4 foi jogada por Janosevic,D-Ivkov,B/Beograd 1969/Inf 08/0-1 (48); 9.Cf3 Cxc5 10.0-0-0 Ad7=] 9...Cc6 [9...f6 10.exf6 Txf6 11.Cf3=; 9...a6 10.Cd6 Dc7 11.Cf3 Dxc5 12.Dxc5 Cxc5=] 10.f4 [10.Cf3 h6+/=] 10...f6 11.exf6 Dxf6 [11...Cxf6 12.0-0-0=] 12.Dxf6 Txf6 13.g3 [13.0-0-0 Cxc5 (13...Tb8 14.Ch3 Cxc5 15.Ae2 Ad7 16.Cd6 Td8=) 14.Ch3 (14.g3 Ce4 15.Ch3 a6 16.Cc7=; 14.Ce2 Ce4 15.Te1 Ad7 16.g3 Cb4 17.Cbc3 Cf2 18.Tg1 Tc8 19.Cd4=) 14...Ad7 15.Cd6 Td8 16.Ab5 Cb4 17.a3 Axb5 18.Cxb5 Cc6 19.The1=; 13.Cc7 Tb8 (13...Cb4? 14.Cxa8 Cxc2+ 15.Rd2 Cxa1 16.Ad3 Cxc5 17.Cf3+/-) 14.0-0-0 Cxc5 15.Ch3 Ad7 16.Cb5=/+] 13...Cxc5 14.0-0-0 Ce4 15.Ch3 a6 16.Cc7 [16.Ca3 e5 17.Txd5 Axh3 18.Axh3 Cf2 19.fxe5 Th6 20.Ag2 Cxh1 21.Axh1 Txh2 22.Td1 Cxe5 23.Axb7 Tf8 24.Cc4 Cxc4 25.Ad5+-/+] 16...Ta7 17.Ag2 b5 18.Axe4





Nesta posição ocorre um dilema para as pretas, deve tomar o cavalo em c7 ou o bispo em e4? Eu diria que ambas as opções têm quase o mesmo valor, como calcularemos as duas variantes mais adiante e se verá que a igualdade será mantida dinamicamente, mesmo com as ilhas de peões das pretas, há compensação pela melhor atividade de suas peças. 18...Txc7 [18...dxe4 19.Ce8 Tf8 (19...Th6 20.Cf2 (20.Cg5 e3 21.Tde1 Td7 22.Ce4 Cb4 23.C8d6 Td8+/-) 20...e5 21.Cd6 Tc7 22.Cdxe4 exf4 23.gxf4 Th4 24.Cd3+/-) 20.Cd6=] 19.Ad3 [19.Ag2 h6= (19...Cb4 20.c3 Cc6 (20...Cxa2+? 21.Rb1 Cxc3+ 22.bxc3 Txc3 23.Tc1 Tc4+/-) ) ] 19...e5 [19...h6 20.a3=] 20.fxe5 Cxe5 21.Cf4 Cxd3+ 22.Txd3 [22.Cxd3 Af5 23.Rd2 Axd3 24.Rxd3=] 22...Af5 23.Td2 [não 23.Cxd5?? Axd3 24.Cxc7 Tc6 25.Cxa6 Txc2+ 26.Rd1 Txb2-+] 23...Tfc6 24.c3 Ae4 25.Te1 b4 26.Cxd5 [26.Txd5!? Axd5 27.Cxd5 bxc3 28.Cxc7 cxb2+ 29.Rxb2 Txc7=] 26...Axd5 27.Txd5 bxc3 28.b3 Tf6 29.Te2 Tf1+ 30.Td1 [30.Rc2 Rf7+/= (30...Ta1 31.Ta5 Tc6+/=) ] 30...Tf5 [30...Tcf7 31.Txf1 Txf1+ 32.Rc2+/=] 31.Rc2+/-



Aqui as brancas estão claramente melhores, pois o peão de c3 está morimbundo, mas ganhar ainda é uma questão de difícil técnica. 31...h5 [31...Rf7 32.a4+/=] 32.Td3 Tfc5 [32...Rf7 33.a4+/=] 33.b4 [33.a3 Tf5+/=] 33...T5c6 [33...Tb5 34.a3=] 34.Tee3 [34.Tf3 Rh7+/=] 34...Tf6 35.Txc3 [35.Td8+ Rh7 36.Txc3 Txc3+ 37.Rxc3 g5+/-] 35...Tf2+ 36.Rb3 Tb7 [36...Txc3+ 37.Txc3 Txh2 38.a4+/-] 37.h4 a5 38.a3 Tf1 [38...axb4 39.axb4 g6 40.Tc5+-] 39.Rc4 [39.Tf3!? Txf3 40.Txf3+-] 39...axb4 40.axb4 Tb1 41.Tb3 as brancas pretendem avançar b4-b5. 41...Tc1+ 42.Tec3 Te1 43.b5 Tb6 44.Rc5 as pretas abandonaram. O peão a mais apoiado pelo rei, é pura questão de técnica. 1-0

sábado, 25 de dezembro de 2010

POR QUE ESTUDAR XADREZ ?


O xadrez é considerado um jogo que exercita e treina a mente humana, Gothe, o grande escritor alemão, falou que “o xadrez é a ginástica da inteligência”. Portanto o xadrez é na ordem intelectual, o que a ginástica é na ordem material.

Johann Wolfgang von Goethe
“o xadrez é a ginástica da inteligência”

Muitos estudos realizados em estudantes franceses, russos e ingleses, mostraram que o xadrez pode ser usado como jogo de alto poder educativo, quando mostrou melhorar o desempenho acadêmico em crianças que participavam de programa de xadrez na escola. O xadrez tem a capacidade de desenvolver o raciocínio lógico e crítico, o mesmo método de raciocínio desenvolvido para resolução de problemas matemáticos. Desenvolve a inteligência, através da habilidade de resolver problemas. Estimula a memória. Melhora a capacidade de concentração e visualização. Melhora a auto-estima, auto-expressão, auto-confiança e disciplina, através do jogo como esporte. Ele desenvolve a força de vontade e ajuda as pessoas a se tornarem mais fortes.É um meio de aproximação social e intelectual. O xadrez serve, como lazer para distrair e esquecer momentaneamente as preocupações da vida diária.


Garry Kasparov
Xadrez uma paixão que nunca acaba
O xadrez é algo mais que um jogo, tem o dom de apaixonar as pessoas e faze-las felizes. Veja o depoimento do maior jogador de xadrez da atualidade, o Grande Mestre Garry Kasparov: “eu sou um apaixonado pelo xadrez; esta paixão já dura muitos anos e é para sempre”.



Então muitos perguntarão o que é o xadrez?

Ele tem parte e características de esporte, quando os jogadores de xadrez participam de competições e disputam partidas e lutam para vencer e o resultado é importante para eles. O xadrez foi considerado esporte pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em 1999.


É também considerado arte pelos que apreciam a beleza das combinações e da lógica das táticas, dando sentido aos momentos de lazer.


É ao mesmo tempo é também considerado ciência quando desperta o prazer da pesquisa e do estudo para resolver os problemas do jogo.


Agora passaremos a mostrar o conceito do que é o xadrez por alguns grandes jogadores da história:


Paul Morphy

Paul Morphy (1837 – 1884)

“O xadrez há de ser principalmente uma recreação e não deve praticar-se em detrimento de outras atividades mais sérias. Como um simples jogo, como um descanso do trabalho importante da vida, merece a mais alta recomendação”.


Dr. Siegbert Tarrasch

 Siegbert Tarrasch (1862 – 1934)
  “O xadrez é uma forma de produção intelectual que tem seu encanto peculiar. A produção intelectual é uma das grandes satisfação, senão a melhor, ao alcance do homem. Nós todos podemos compor uma peça musical inspirada ou construir uma ponte, entretanto, no xadrez todo mundo é intelectualmente produtivo, por conseguinte, cada pessoa que o pratica pode experimentar uma satisfação. Sempre lastimo aquelas pessoas que não tenham conhecido o xadrez. Justamente o mesmo que sinto por quem não foi embriagado pelo amor. O xadrez, como o amor, como a música, tem a virtude de fazer feliz o homem”.


 José Raul Capablanca
(1888 - 1942)
Capablanca




Mikhail Tal

 “O xadrez é algo mais que um jogo. É uma forma de diversão intelectual que tem algo de arte e muito de ciência”.

Roberto Grau (1900 – 1944)

 “Jogar xadrez não é mover as peças, da mesma maneira que, pintar não é tomar os pincéis e manchar a tela. Jogar xadrez é por em marcha o cérebro em atividade que requer e obriga um processo mental harmônico e lógico. Que mais que um jogo o xadrez é um monumento de lógica e de raciocínio”.


Ruben Fine (1914 – 1995)


“Uma partida de xadrez se assemelha a uma mulher: cada qual a subestima ou menospreza, pois nenhum é capaz de jugá-la fria e objetivamente”.


Tigran Petrosian
 



Savielly Tartakover (1887 – 1956)


David Bronstein
 

“Cometo erros... logo existo!”


“Se o erro não existisse, deveria inventar-se”.

“O xadrez existe pelos seus erros”.






Bobby Fischer
“O xadrez é a vida”.






Anatole Karpov
  
Mikhail Tal (1936 – 1992)

  “O xadrez ocupa minha vida cem por cento, mais dez”.

“Se proibissem o xadrez, provavelmente me faria contrabandista”.

 Tigran Petrosian (1929 – 1984)

 
“O xadrez é um jogo por sua forma, uma arte por seu conteúdo e uma ciência por sua dificuldade. Pois se você aprende a jogar bem, sentirá uma grande alegria”.




 
Víktor Korchnoi

 David Bronstein (1924 - 2006)

“Xadrez é imaginação”.



Bobby Fischer (1943 - 2008)

“O xadrez é a vida”.


Anatole Karpov (1951)

“O xadrez é minha vida, pois minha vida não é só o xadrez”.

Boris Spassky



“O xadrez é tudo – arte, ciência e esporte”.





Víktor Korchnoi (1931)



“O xadrez é minha vida”.

  
Mikhail Botvinnik











Boris Spassky (1937)

“Xadrez é como a vida”.





Mikhail Botvinnik

“O xadrez é a arte da análise”.



“O xadrez serve para polir e educar o espírito, cristalizar a força do caráter, eleva-lo, e ensina também a assimilar as derrotas não só do jogo, mas sim da vida, com orgulho e resignação. Ganhar uma partida é triunfar sobre o outro espírito, sobre outra idéia, portando ajuda o ser humano a conviver mais facilmente com o triunfo e a aceitar de forma dura a derrota”.







terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A "IMORTAL"

Esta postagem é dedicada ao Sr. Luis Soares de Macedo - o nosso "Paladino do Xadrez Nordestino"

Um exemplo de vida no xadrez e no xadrez da vida!


A "IMORTAL"

Esta obra-prima do xadrez é , sem dúvida, a partida mais conhecida e admirada pelos enxadristas de todo mundo. Foi analisada inúmeras vezes e, apesar de apresentar lances incorretos de ambos os lados, a partida não perdeu nem um pouco de sua extreodinária beleza. O sonho de todo enxadrista é ganhar o jogo com um xeque-mate rápido. Esse assunto nunca fica velho. Vamos agora ver as partidas dos clássicos, onde é mais fácil aprender quando um jogador é significativamente mais forte que o outro, e o plano pode ser seguido do começo ao fim sem interrupções. Atualmente, a arte da defesa no xadrez melhorou acentuadamente, fazendo com que isto fique mais difícil de aprender métodos e idéias básicas de partidas de grandes mestres. Lembre-se que todos grandes mestres estudaram as partidas clássicas.


Anderssen
"Ataque, sempre ataque"




Anderssen,Adolf - Kizeritsky,Lionel [C33]

Londres, 1851

[Kasparov/Euwe/Steinitz/Pinto,C]

1.e4 e5 2.f4 O Gambito do Rei é a abertura mais característica da época romântica do xadrez. O principal objetivo é atacar diretamente ao rei mediante sacrifícios e combinações brilhantes. Hoje em dia é jogado por jogadores como Spassky, Bronstein, Keres e mais recentemente por Judit Polgar. 2...exf4 3.Ac4 as brancas permitem o xeque da dama preta em troca de um maior desenvolvimento de suas peças. Isto leva para posições complexas e interessantes. 3...Dh4+ foi comprovado que 3....Cf6, é a melhor estratégia. O lance do texto leva as pretas a perderem muito tempo com a sua dama. 4.Rf1 b5?
com a intenção de desviar o bispo branco de sua melhor diagonal(a2-f7). 5.Axb5 Cf6 6.Cf3! Dh6 [atualmente se considera melhor >=6...Dh5 7.Cc3 (7.e5 Cg4 8.d4 Ce3+ 9.Axe3 fxe3 10.Cc3+/-) 7...Ab7 8.Ac4 Cxe4 (8...Ab4 9.d3 Axc3 10.bxc3 g5 11.h4) 9.Cxe4! d5 10.Ab5+ c6] 7.d3 o branco defende o peão de e, e seu bispo ataca o peão de f4 que é defendido pela dama preta, criando opções táticas. As pretas perderam a melhor chance do roque com Ae7, mas há mais de 150 anos os jogadores de xadrez prefereriam encontrar desafios. [>=7.Cc3 Ab7 (7...g5 8.d4 Ab7 9.e5 Ch5 (partida Raphael-Morphy, Nova Iork, 1852)) 8.De2 Ab4 9.e5 Ch5 10.Tg1 0-0 11.d4 Db6+/-] 7...Ch5?! [outra possibilidade seria 7...Ac5 8.d4 Ab6 9.Cc3 Ab7 (partida Anderssen-Polimächer, 1852) 10.Ad3 g5 11.Tg1=/+] 8.Ch4?! este lance não é ruim, pois ataca e defende ao mesmo tempo. [segundo análises mais recentes >=8.Tg1 Db6 9.Cc3 c6 10.Ac4 Dc5 11.De2 Aa6 12.Axa6 Cxa6 13.d4 Da5 14.Ce5 g6 15.Cc4 Dc7 16.e5~~] 8...Dg5? Neste jogo as pretas violaram três princípios básicos da abertura, que são: 1) Saiu com a dama prematuramente; 2) Moveu a mesma peça(dama) mais de uma vez; 3) Evitou fazer o roque, quando era possível. [8...g6 9.g4 Cf6 10.Cg2 Dh3 11.Axf4 Cxg4 com vantagem do preto.] 9.Cf5 c6!?
[a alternativa era 9...g6 10.h4 Cg3+ (10...Df6 11.Cc3 c6 12.Aa4 (12.Ac4 d5) 12...Ca6 com vantagem para as pretas.) 11.Re1 (11.Cxg3 Dxb5 (11...Dxg3 12.Th3+/-) 12.Cc3 De5 13.Cge2 Ah6 14.g3 f3 15.Cf4+/- e as brancas estão melhores) 11...Df6 12.Cxg3 fxg3 13.De2 ou (13.Df3 lance sugerido por Steinitz e que dá a vantagem às brancas.) ] 10.g4? [posteriormente se considerou que a melhor continuação seria. 10.Aa4 g6 11.Cg3 Cxg3+ 12.hxg3 Dxg3 13.Cc3 Ac5 14.De1 Dxe1+ 15.Rxe1 g5 16.Th5 Ae7 17.g3+/-] 10...Cf6
[10...g6 11.Cd4 Ag7 12.c3 Axd4 13.cxd4 Dxb5 14.Cc3 Db6 15.gxh5 Dxd4 16.Df3 Aa6 17.Re2 g5 18.Td1 d6-/+] 11.Tg1! um bonito e intuitivo sacrifício valente do bispo! O branco está decidido que o tempo é mais importante que o material. 11...cxb5? [>=11...h5 12.h4 Dg6 13.g5 Cg4 14.Cc3 (14.Aa4 d5 15.Cd4 Ac5 16.c3 Axd4 17.cxd4 dxe4-/+) 14...cxb5 15.Cd5 Ca6 (15...d6?! 16.Cd4; 15...Ad6?! 16.Cxf4 Axf4 17.Axf4) 16.Axf4 Ab7 17.c4 Axd5 18.cxd5 Db6-/+] 12.h4! Dg6 13.h5 Dg5 14.Df3 ameaça ganhar a dama com 15.Axf4 14...Cg8 [Euwe propôs continuar com 14...Cxg4 15.Txg4 Dxh5 16.Axf4+/-] 15.Axf4 Df6 16.Cc3 um triunfo estratégico da abertura branca! Elas têm somente um peão pela peça, mas seu desenvolvimento é opressivo. As ameaças 17.Cd5 e 17.Cxb5 são muito desagradáveis. 16...Ac5? [>=16...Ab7 17.Cd5! Axd5 18.exd5+-] 17.Cd5 [>=17.d4! seguido de 18.Cd5] 17...Dxb2
18.Ad6?!

Este é o lance talvez mais controvertido da partida. é duro criticar o jogo imortal. Euwe escreveu: "o começo de uma brilhante combinação, cuja precisão, não obstante, é duvidosa". Apesar de a análise posterior, que detalharemos a seguir, tentar demonstrar que se trata de um lance incorreto, na realidade é um movimento de extreodinária beleza em que Anderssen sacrificou nada menos do que duas torres. [>=18.Ae3!? Dxa1+ 19.Rg2 Db2 20.Axc5 Dxc2+ 21.Af2 as pretas estariam em apuros, mesmo tendo uma torre a mais.; as brancas deixam escapar a possibilidade de ganhar facilmente(como seria lógico): 18.d4 Dxa1+ (18...Af8 19.Cc7+ Rd8 20.Te1+-) 19.Rg2 Db2 20.dxc5 Ca6 21.Cd6+ Rf8 22.Ae5 Dxc2+ 23.Rh3 f6 24.Cxf6+-] 18...Axg1? o mundo do xadrez é grato a Kizeritsky por permitir uma combinação tão bonita. [outra possibilidade seria 18...Dxa1+ 19.Re2 Db2! 20.Rd2 como sugeriu Steinitz, e agora: 20...g6 (20...Axg1 21.e5 Aa6! 22.Cc7+ Rd8 23.Dxa8 Ab6 24.Dxb8+ Ac8 25.Cd5 Aa5+ 26.Re3 Dxc2=/+) 21.Te1 (21.Tb1 gxf5 22.Txb2 Axd6 23.e5 Axe5 24.De3 d6 25.d4 Ab7 (25...Rd8 26.dxe5+/-) 26.Cc7+ Rd8 27.Cxa8+/-) 21...Ab7 22.Axc5 Axd5 23.exd5+ Rd8 24.Ad4 Db4+ 25.Ac3 Dc5 26.Ce3+/-] 19.e5! uma jogada "tranquila" que ameaça 20.Cxg7+ Rd8 21.Ac7++. Este empurrão de peão corta a proteção da dama preta de g7, enquanto as outras peças estão impossibilitadas de ajudar. 19...Dxa1+
 [19...Aa6 20.Cc7+ Rd8 21.Cxa6 Dxa1+ (21...Ab6 22.Dxa8 Dxc2 23.Dxb8++/-) 22.Re2 e as brancas ficariam melhores. ]


20.Re2 as pretas têm duas torres e um bispo a mais, mas estão perdidas porque não há defesa para o seu rei. 20...Ca6 [20...f6 21.Cxg7+ Rf7 22.Cxf6 Ab7 (22...Rxg7 23.Ce8+ Rh6 24.Df4#) 23.Cd5+ Rxg7 24.Df8#] 21.Cxg7+ Rd8
22.Df6+!! um efetivo sacrifício final. 22...Cxf6 23.Ae7#
1-0

ALGUMAS CONCLUSÕES HÁ SEREM TOMADAS DESTE JOGO:
1) Os fatores cruciais da estratégia de aberturas são desenvolvimento rápido de peças assim que possível.
2) O tempo é mais importante do que o material. Especialmente quando o rei atacado encontra-se inseguro. Não despedice nenhum tempo na abertura.
3) Várias coisa como um peão obtruindo o desenvolvimento de peças, movimentos de peões como a3, h3, h6 são perdas de tempo que levam a catástrofe na abertura.
4) Um jogador sempre procura abrir a posição quando o monarca do oponente está no centro.

domingo, 19 de dezembro de 2010

COMO ALEXANDER ALEKHINE JOGAVA A SUA DEFESA


Bogoljubov e Alekhine 1934
 A Defesa Alekhine é citada pela primeira vez no livro de "Algaier" sobre Aberturas, editado no ano de 1811, passando, pela "encyclopédie" de Alexandre, e da 7a edição do "Handbuch des Schachspiels", de fins do século passado, onde é mencionada por Schallop, que no dizer de um historiador, "dignou-se mencionar simplesmente para informar aos leitores na seção de variedades contra 1 –"e4". Em Londres, 1863, as partidas de Anderssen versus Pearson tornaram-se conhecidas. O mestre alemão L. Fischer, naquela época jogava indiscriminadamente, contra 1 - e4 do adversário 1 - ...,Cc6; ou 1 -. ..., Cf6, com a primitiva idéia, neste último caso, se 2 - e5, Cg8?!. Alexander Alekhine jogou esta defesa pela primeira vez em uma partida de consulta em Zurich (agosto, 1921), mas foi introduzida na prática magistral pouco depois no Torneio de Budapeste, em setembro do mesmo ano, contra o mestre Steiner. Imediatamente após a espetacular vitória de Alekhine nesta partida, a defesa foi adotada por quase todos os GM da época, desde o mais dogmático como Tarrasch até o mais descrente como Capablanca, passando por Reti, Lasker, Flohr, Rubinstein, Maroczy, Tartakower, Wolf, Glunfeld, Colle, Euwe, Spielmann, Yates e outros. Da lista dos grandes mestres daquela época só faltava o nome de Nimzovitsch, que estava. muito entusiasmado com sua defesa contra o peão do rei (1 -. ..., Cc6), para dar a devida atenção a (1. ...,Cf6). A origem da defesa Alekhine foi produto da chamada escola Hipermoderna , que contraria, violentamente, o princípio clássico fundamental de que se deve sempre manter na abertura um peão central. A idéia da defesa Alekhine é provocar o avanço prematuro dos peões centrais brancos, para imobilizá-los e usá-los como tema de contra-ataque. No dizer do genial Tartakower, "as brancas tem que defender sua iniciativa". E seguindo os princípios dos hipermodernistas, Reti, Nimzovitsch e Breyer: "Um peão avançado deve Ser bloqueado, atacado e destruído "Quando nosso adversário não possui peões avançados, temos que provocá-lo para que os tenha. A defesa Alekhine vem resistindo a todos os esforços que os analistas têm feito com o intuito de contestar essa linha de jogo, que fere tão profundamente o princípio clássico das aberturas que manda conservar um peão no centro do tabuleiro. É perfeitamente sólida e muitas vezes adotada por laureados grandes mestres contemporâneos como Euwe, Flohr, Reshevsky, Fine, Mikenas, Bagirov, Lev Albnrt, Larsen, Smyslov, Kortchnoi, Vaganian, Berliner, Penrose, Panno, Hect, Kopilov, Lutikov, Marovic, Ciocaltea ,Fischer e outros.

Lindner - Alekhine 1936

Steiner,A - Alekhine,A [B03]
Budapeste, 1921
[Comentários de Alekhine]

 
1.e4 Cf6 Esta nova defesa foi jogada pela primeira vez por min em uma partida em consulta em Zurich (agosto,1921). E foi introduzida na prática magistral pouco depois no torneio em Budapeste em setembro do mesmo ano. Sua correção parece agora completamente estabelecida. Uma das mais completas provas de sua vitalidade radica no feito do Dr. Emmanuel Lasker , ex-campeão do mundo; Abertamente oposto a ela. Adotou-a com êxito contra Maróczy no torneio de Nova York (marco – abril, 1924). Depois de haver tentado em vão demovê-la. No curso de um encontro entre o doutor Lasker e o doutor Tarrasch, O negro obteve uma partida claramente superior. Se não é que ganhadora, na seguinte forma: 1. e4 , Cf6; 2. e5 , Cd4; 3.d4 , d6; 4.c4 , Cb6; 5.f4 , de5; 6.fe5 , Cc6; 7.B e3 , Bf5; 8.Cc3 , e6; 9.Cf3 , Bb4; 10.Bd3 , Bg4!; 11.Be2 , Bf3; 12.gf3 , Dh4+; 13.Bf2 , Df4! 2.e5 Em uma partida Bogoljubow – Alekhine (Carlsbad, 1923) o branco tratou 2.Cc3. Ao que o negro contestou 2. ... , d5 (2. ... , e5 transpondo para a abertura Vienense, é também de considerar); Conduzindo a continuacão 3.e5 , Cfd7!; 4.d4 , c5!; 5.Bb5 , Cc6; 6.Cf3. E o negro pode haver conduzido a uma variante muito vantajosa da defesa Francesa, com 6. ... , e6; Em lugar da arriscada linha 6. ... , a6; 7.Bc6 , bc6; 8.e6! 2...Cd5 3.d4 Em uma partida Samisch – Alekhine do mesmo torneio. O branco continuou com 3.Cc3 , e6; 4.Cd5 , ed5; 5.d4 , d6; 6.Cf3 , Cc6; 7.Be2 , Be7; 8.Bf4 , 0-0; 9.0-0 , f6; 10.ef6 , Bf6; E o negro tem um jogo ligeiramente superior 3...d6 4.Ag5 Depois desta jogada, cujo objetivo é evitar o avanço do peão do rei inimigo, o branco perde sua vantagem, pelas dificuldades que experimentará em defender o peão do rei. A linha de jogo mais perigosa para o negro é indubitavelmente 4.c4 , seguido por 5.f4. 4...dxe5 5.dxe5 Cc6 6.Ab5 Af5! Ao negro não importa a possibilidade de dobrar os peões. Se 7.Be7+ , a posição de seus dois bispos. A coluna "b" aberta e seu melhor desenvolvimento constituiriam numa grande compensação pela ligeira desvantagem em c6. 7.Cf3 Cdb4! o ganho de um peão nesta última jogada requer um minucioso exame de todas suas consequências. 8.Ca3 Dxd1+ 9.Txd1! A melhor resposta, pois se 9.Rd1 , 0-0-0+; 10.Rc1 , f6; O jogo negro seria claramente superior. 9...Cxc2+ 10.Cxc2 Axc2 11.Tc1 Ae4 12.Cd4 Se 12.e6 , o negro contestaria simplesmente 12. ... ,f6! Seguido de 13-0-0-0. 12...Axg2 13.Tg1 0-0-0



O ponto chave da manobra iniciada na 7a jogada. Entretanto, a vantagem material de um peão que o negro há tido êxito em assegurar, parece muito difícil de aproveitar pelo seu atrasado desenvolvimento. 14.Cxc6 Axc6 15.Axc6 bxc6 16.Txc6 Td5 17.Af4 e6 18.Re2



Como poderia agora o negro fortalecer a sua posição? Por exemplo, aqui há duas sugestões plausíveis que não dão resultado satisfatório contra uma defesa correta: I – 18.... , g6; 19.Tgc1 , Td7; 20.Be3 , Rb7; 21.T6c3 , Bg7; 22.Tb3 , Tb8; 23.Ba7! , Be5; 24.Tc4 , com melhor jogo para o branco. II – 18.... , g5; 19.Tg5! , Bh6; 20.Tg4 ,Bf4; 21.Tf4 , Te5; 22.Rf1 , Rb7; 23.Tc3 , e o negro não tem oportunidade de ganhar. 18...Ac5! Esta jogada que a primeira vista não parece melhor que as precedentes é a única que permite ao negro conservar sua vantagem. 19.b4! A contestação correta. Permitindo ao Branco forçar um caminho favorável. É claro que o peão g7 negro não pode ser capturado de imediato, devido a 19.... , Rb7. 19...Axb4 20.Txg7 Td7 21.Ae3



O negro se acha novamente encarando grandes problemas. Como vai assegurar a defesa de seus peões débeis em ambas as alas? Seu solitário bispo é insuficiente para esta tarefa. Já que se fora levado a b6 via a5-b6 , protegendo adequadamente sua ala da dama. O branco poderia trocar seu ataque a ala oposta e eventualmente ganharia pelo menos um peão com Tc4 seguido de Ta4. Por outro lado, se o negro retira o bispo por Bf8 para assegurar a proteção de sua ala do rei, o branco tomaria a ala da dama como seu objetivo e obteria um forte ataque com Tg4 seguido de Ta4. Por isso o negro deve evitar provisoriamente o deslocamento do seu bispo para poder usa-lo na defesa de qualquer ala ameaçada. Suas seguintes jogadas estão ditadas pelas considerações anteriores 21...a5 22.Tc4 h5 23.Th4 Ac3! 24.Tg5 Td5 25.f4 f6! Mantendo definitivamente sua vantagem material, que pode explorar pelas seguintes trocas: 26.Tgxh5 Txh5 27.Txh5 fxe5 28.fxe5 Axe5 29.Th7 29.h4 deixaria no branco algumas esperanças de empate, pois depois de jogada do texto o negro força a troca desse perigoso peão 29...Tb5 30.Rf3 Tb2 31.Th5 Forçado, já que depois de 31.h4 , Ta2; O peão da coluna "a" passado do negro seria pelo menos tão perigoso quanto o peão "h" passado branco. 31...Axh2 32.Txa5 Ad6 O final resultante, ainda que ganho para o negro, oferece, sem dúvida alguma, dificuldades técnicas e não está desprovido de interesse 33.Re4 Rd7 34.Ad4 Evitando temporariamente 34.... , e5; que o negro agora prepara com a seguinte manobra de sua torre. 34...Td2 Dificultando Rd3-c4, etc. 35.Ae3 Te2 36.Rd3 Te1! 37.Ad4 Tc1 37.... , e5; Todavia seria prematuro por causa de 38.Bc3. 38.Ae3 Td1+ 39.Re4 Te1 40.Rd3 e5 Emfim o jogável!. 41.Af2 Tf1 42.Ae3 Re6 43.Re4 Th1 44.Af2 Th2 45.Ae3 Th4+ 46.Rd3 Ab4! Assegurando assim para seu rei o acesso a casa d5, que é de clara importância. 47.Ta7 Ou 47.Ta4 , Rd4; 48.a3 , e4; 49.Rc2 , Bd6; 47...c5 48.a3 c4+ 49.Re2 Ad6 50.Ta8 Para cravar o bispo contrário com Td8, depois de ... , Td8. 50...Th2+ 51.Rd1 Th3! 52.Rd2 Rd5 53.Td8



53...c3+! O golpe de graça 54.Re2 Se 54.Rd3, o negro havia previsto o belo final: 54.... , c2; 55.Tc8 , Be7!; 56.Tc2 , Bg5; 57.Te2 , e4; 58.Rd2 , Te3; 59.Te3 , Rd4; E ganha 54...Re4 55.Txd6 Txe3+ 56.Rf2 Td3 57.Tc6 Td2+ 58.Re1 Rd3 59.Td6+ Rc2 60.Te6 Td5 61.Re2 Rb3 62.Tc6 c2 0-1