quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

ESTUDO DA TÁTICA V

Fischer - Petrosian, Curaçao 1962


A CONEXÃO ENTRE A ESTRATÉGIA E A TÁTICA
O papel primordial da estratégia.
O papel primordial da estratégia nasceu da correlação entre a estratégia e a tática. O método e a existência de objetivos na luta outorgam ao xadrez uma enérgica vitalidade e o alça ao nível de uma ciência. A luta é levada de modo conseqüente e metódica quando se subordinam todos os recursos táticos a um conceito supremo. Toda a aplicação eficiente das operações táticas tem que contribuir na realização do plano estratégico. As partidas dos nossos famosos antepassados, os clássicos jogadores posicionais, constituem desde deste tempo, como uma boa ilustração disso. Aqui um exemplo da poderosa subordinação de todas as operações táticas a um plano estratégico unificado. 1. d4 d5 2.c4 e6 3.Cc3 f5 4.Cf3 c6 5.Bf4 Bd6 6.e3! As brancas já fazem saber ao seu adversário que pensam organizar seu jogo em torno das casas pretas debilitadas. 6... Cf6 [agora não resulta bem 6...Bxf4 7.exf4 e o ponto e5 esta totalmente em poder das brancas, que pressionarão insistentemente o peão atrasado e6 na coluna semi aberta "e". ] 7.Bd3 Dc7 8.g3! 0-0 9.0-0 Ce4 10. Db3 Rh8 11.Tac1 Bxf4 a ameaça 12.cxd5 seguido de Cb5, não agrada em nada as brancas, razão pela qual entregam finalmente o ponto e5 a seu adversário. Agora é mais sensível a superioridade branca. 12. exf4 Df7 13.Ce5 13...De7 

Schlechter - Johner [A85]
Barmen, 1905

14. Bxe4! Uma troca que da a impressão de ser absurdo. Podia-se crer que as brancas desejavam expulsar o cavalo preto com a continuação natural f2-f3, ocupando assim a coluna "e". Pois sua próxima jogada nos informa que de nenhum modo a perdido sua meta principal. Faz-se inclusive que habilidade tática para se desfazer de seu peão dobrado. 14... fxe4 15.f3 exf3 16.Tce1 Dc7 17.Da3 Rg8 18.Txf3 Ca6 19.b3 Dd8 20.c5 Cc7 21.Db2 Bd7 22.Dc2 De7 23.Tef1 Tae8 24.g4! Bc8 25. Th3 outro detalhe importante. As brancas provocam a jogada g7-g6, que debilita ainda mais as casas de seu adversário. 25... g6 26.b4 o ataque em ambos os flancos sobrava que as brancas dominavam a luta e que poderiam preparar a ruptura decisiva no flanco apropriado, segundo as circunstâncias especiais do momento. 26... Df6 27.Thf3 Te7 28.a4 a6 29.Cd1 o cavalo empreende uma longa viagem há f6 ou h6. Para este fim se dirige até e3 e logo a g4, a raiz do avanço g4-g5. No resultado claro [29. g5 Df5!] 29... Tg7 30.Ce3 De7 31.g5 Bd7 32.C3g4 Be8 33.Ch6+ Rh8 34.De2 Dd8 35.Ceg4 Bd7 36.De5 o ponto e5 servirá de tábua de lançamento para as peças brancas infiltrada no campo negro. As manobras brancas são admiráveis por sua precisão tática. O arremate da luta nos causa impressão estética, inclusive se não tomamos em conta os efeitos da combinação. 36... Ce8 37.Th3 Dc7 38.Cf6! Dxe5 39. fxe5 Te7 40.Thf3 força a seguinte troca devido a ameaça de mate em f8. 40... Cxf6 41.Txf6 Txf6 42.exf6 Te8 43.Cf7+ Rg8 44.Ce5 o ponto e5 volta a desempenhar um papel primordial nos planos das brancas. A penetração do rei a através desta casa central resultará por último decisivo. 44... Td8 45.Rg2 Rf8 46.h4 Be8 47.Rf3 Bf7 48.Rf4 Re8 49.Tb1 Rf8 50.b5 depois de 50....axb5 51.axb5 Be8 52.bxc6 Bxc6 53.Cxc6 bxc6 54.Re5, e a situação das pretas é desesperadora. 1-0

Na ampla maioria dos casos, a realização de um plano requer uma grande "habilidade tática", uma eleição adequada dos recursos táticos e um aprofundamento consciente das peculiaridades correspondente da posição. O contrário, a aplicação linear de um plano que descuida as possibilidades combinativas adversas só fracassará. Um exemplo instrutivo é demonstrado nesta posição. Após a 22a jogada das brancas. 

Tolusch - Sokolski
18o Campeonato da URSS, 1950

As pretas não conseguiram ter um bom contra-jogo na ala da dama, criando debilidades rígidas nos pontos c3 e d4 do campo branco. O plano das pretas está claro. prevê  para mais tarde uma atuação ativa no flanco dama. Pois em toda posição há de considerar-se ante tudo as finezas táticas. Devido a isso, as pretas tiveram que permanecer alerta ante as ameaças brancas no flanco do rei. Após a jogada preventiva 22....Rh8 ou g6, haveria podido desprender despreocupadamente suas operações no outro flanco. Em vez disto, iniciam imediatamente um jogo linear e permite as brancas à preparação progressiva de manobras táticas que vem a modificar bruscamente o rumo da partida. 1...b4? 2.Ch6+ Rf8 3.Txg7!! "um raio em um céu azul". Agora triunfa a tática, e os planos posicionais das pretas caem sem solução. 3...Rxg7 4.Dg4+ Bg5 [4...Rf6 5.c4! Da5 6.d5! exd5 7.Bg5+ e mate em dois.] 5.c4 Dxd4 6.Dxg5+ Rf8 7.Be3 Dh8 único modo de evitar 8.Bc5+ Re8 30.Dg8 e etc. 8.Bc5+ Re8 9.Cg4 Rd7 10.Bb6 Tb8 11.Td1+ Re8 12.Bxd8 Txd8 13.Txd8+ Cxd8 14.Cf6+ Rf8 15.Dc5+ Rg7 16.Ch5+ Rh6 17.h4! Da1+ 18.Rh2 f6 19.Cf4! 1-0



O exemplo seguinte apresenta uma situação oposta. Mostra como um hábil manejo tático proporciona a possibilidade de levar a fim um bom plano. 
Petrosian - Taimanov
22o Campeonato da URSS, 1955

As pretas têm realizados erros apenas visíveis durante a abertura e agora possuem um jogo difícil. A superioridade branca tem um caráter dinâmico e requer uma rápida ação no flanco rei. É instrutivo observar com que habilidade tática conduz  Petrosian ao ataque no flanco do rei. 1.Bh7+! as brancas desejam levar rapidamente sua torre ao combate. [Pois um imediato 1.Txd4 teria como resposta 1...Cf6] 1...Rh8 2.Txd4 Bc5 [>=2...De7 3.Te4 Df8 4.Th4 Ce5 ao que as brancas obtém igualmente favorável perspectiva de ataque, por exemplo: 5.Cg5! f5 (‹5...hxg5 6.Bg8+!) 6.Bg6! Cxg6 7.Txh6+ Rg8 8.Txg6] 3.Tf4 De7 4.Te4! as manobras da torre branca são muito originais; é muito raro que esta peça pesada atue no meio jogo de modo tão ágil e veloz. 4...Df8 5.Th4 f6 forçado de novo, já que se ameaçava Th6: 6.Bg6 Te7 7.Th5! a larga manobra Rd1-d4-f4-e4-h4-h5. AS pretas não têm parada contra a ameaça Cf3-h4. 7...Bd6 8.Td1 Be5 9.Ba3! c5 10.Ch4 Não deve haver nada contra a ameaça Bh7 seguido de Cg6+. A Dd8 segue Bc5 e a 11....Dd8 12.Bh7! Dh7 13.Cg8+ etc. 1-0

Petrosian era um grande estrategista com enorme força combinativa

A CONCORDÂNCIA DO OBJETIVO COM OS MEIOS
Quando os meios se acham também subordinados a uma meta há que alcançar em pró desta dita meta de acordo com os meios disponível. Se o jogador elabora um plano estratégico, se vê então obrigado a convencer-se da alcançabilidade da meta fixada e de sua concordância com as essenciais particularidades da posição. As metas demasiadas rígidas ou sua busca sem consideração a os requisitos efetivos da posição serão refutadas pela lógica da luta. Isto explica a importância fundamental que só tem os meios táticos. 
Bronstein - Petrosian
27o Campeonato da URSS, 1960

A posição é instrutiva. O primeiro jogador há tratado a abertura de modo extravagante, não conseguindo assim nenhuma vantagem. Agora houvesse tido que completar o quanto antes o seu desenvolvimento com 0-0. Em vez de fazê-lo, persegue ao rei preto com um ataque ineficaz, passando por alto uma profunda réplica tática. segue o jogo com: 1.f4? c5 2.Dh5? as brancas têm posto suas esperanças neste ataque. De todos os modos: a jogada do texto vai ser contestada de modo enérgico. [2.Cf3 teria sido facilmente contestado com 2...c4 3.Bc2 Cxf4-/+; 2.Cc2 haveria obrigado as trocas, favorecendo as pretas. 2...c4 3.Bxg6+ hxg6-/+; talvez 2.Cb5 seguido de c3-c4, teria sido o menor dos males.] 2...cxd4! o contragolpe decisivo. As pretas imobilizam o ataque das brancas com uma entrega da qualidade e decidem passar sem mais rodeios a contra ofensiva. 3.Bxg6+ hxg6 4.Dxh8 dxc3 a dama branca se acha fora de jogo e o rei está exposto sem amparo ao ataque, o desenlace está certo. 5.Dh7+ Bg7 6.Be3 [6.f5 Qe5+ seguido de cxb2 ou Qf5, de acordo com o escape do rei branco. ] 6...cxb2 7.Td1 Ba6 8.f5 exf5 9.Dh3 Dc2 10.Df3 Bc4 e as brancas abandonaram. 0-1

1.e4 c5 2.Cf3 Cc6 3.d4 cxd4 4.Cxd4 g6 5.c4 Bg7 6.Cc2 d6 7.Be2 Ch6 as brancas lançaram um ataque ao rei mediante o avanço 8.g4! 
Suetin - Simagin [B37]
Tula, 1950

8...f6 [Para chegar a esta audaz decisão estratégica, as brancas tiveram antes de considerar as particularidades da posição e pesar o pró e o contra da manobra: 8...Da5+ 9.Bd2 Db6 ao encontrar a variante 10.Cc3 Cxg4 11.c5!! muito vantajosa para elas. Tiveram que admitir que o plano 8.g4, está taticamente justificado. Assim seguiu a contenda. ] 9.h4! 0-0 10.h5 g5 11.Cc3 e6 12.Tg1 Cf7 13.Be3 b6 14.Dd2 Bb7? um erro grave. era necessário [14...Bh6 15.f4 gxf4 16.Bxf4 Bxf4 17.Dxf4 Cg5 para fortalecer o flanco rei.] 15.0-0-0 Qe7? o último descuido. Já era tempo de jogar [>=15...Bh6 agora concluem rapidamente o ataque branco. ] 16.f4! gxf4 17.Bxf4 Tfd8 18.h6! Bf8 19.g5 fxg5 20.Txg5+ Cxg5 21.Bxg5 Df7 22.Tg1! Dg6 [22...Rh8 23.Bh5! Dxh5 24.Bf6+] 23.Be3 e as pretas se renderam pouco depois 1-0

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ESTUDO DA TÁTICA IV

Alekhine vs. Bogoljubow

O PAPEL SOBERANO DA TÁTICA
As operações táticas (antes que qualquer combinação) constituem o meio mais eficaz para lograr determinadas vantagens - inclusive a meta principal, que é o mate ao rei. Durante a partida, há que fazer frente aos propósitos táticos do adversário, independentemente de que formem parte de seu plano geral, ou o que tenha uma importância passageira.
O domínio dos recursos táticos resulta uma condição indispensável para poder manejar o complicado curso das idéias estratégicas. Quando a luta entra na fase de grandes complicações táticas, cada jogada requer uma destreza e uma precisão fora do comum.
Radulov - Uhlmann
Reaach, 1969
A posição seguinte apareceu após a 15a jogada das brancas. 1...Dd7! Nesta posição com a qual neutralizaram a atividade da dama branca e ganharam com a troca um tempo para realizar o avanço central e7-e5! Com isso, o centro do tabuleiro se converte no cenário principal da luta e as selvagens complicações táticas passam ao primeiro plano. 2.Dxd7 Bxd7 3.c4 e5 4.Bc3 Bh6!  Uma jogada excelente. O bispo do rei preto intervém poderosamente nos acontecimentos. 5.cxd5 Be3+ 6.Rh1 Bxc5 7.d6 Cb5! 8.Cxb5 Bxb5 semelhante equilíbrio de força só conduz rapidamente ao empate. Pois esta vez sucede o contrário, os quatros bispos se entregam a um duelo encarniçado no que as peças pretas atuam de modo muito perseverante. 9.Bxb7 Tad8 10.Tfc1 Bxd6 11.Ba5 Tb8 12.Bd5+ Rh8 13.e4 Be2!  Agora que as pretas há posto de manifesto os setores vulneráveis do campo inimigo, iniciam com pouca força um ataque violento contra o rei branco. 14.Tc2 Bf3+ 15.Rg1 f5! 16.Bc3 fxe4 17.b4 Bc7 18.h3 Bb6+!  Assim jogam ativamente os bispos das pretas, as brancas estão totalmente indefesas. 19.Rh2 Bd4 20.Te1 Tbc8! 21.Tec1 Tcd8 22.Bc6 Bxc3 23.Txc3 Td2+ 24.Rg1 Tg2+ 0-1

Hecht - Ivkov
Reaach, 1969
Esta posição surgiu, após a 15a jogada na partida. As brancas se deixaram deslumbrar por um plano de ataque ao flanco rei e não consideraram suficientemente os detalhes finos da luta no flanco dama. Realizaram a imprudente jogada: 1.g4?  Que parecia natural, em vez da correta 1.Cd4, e caíram em uma astuta cilada do inimigo. A partida teve um giro surpreendente. 1...Cxc2! 2.Dxc2 Ba4! Está claro que as brancas teriam de devolver a peça, havendo perdido um peão. 3.Dc1 Bxb3 4.g5 Cg4 5.Cd5?! Dd8 [não 5...Dxc1? pelo xeque intermediário 6.Cxe7+] 6.Cxe7+ Dxe7 7.Td3 Cxe3 8.Txe3 e5 9.Th3 exf4 10.Dxf4 Be6 11.Th5 f6 12.gxf6 Txf6 e as pretas ganharam lances depois.
0-1

Na maioria das vezes resulta muito difícil (e também muito impossível baixo a restrição do tempo imposta nas partidas de torneios) Examinar todas as continuações que derivam das operações táticas, pelo que inclusive grandes mestres podem tropeçar no jogo de combinação.
Alekhine - Yates
Carlsbad, 1923
Nesta posição Alekhine havia preparado uma operação tática, que devia reportar uma superioridade decisiva. 1.Cg4 ataca o bispo em e5 e o peão e7 e ao mesmo tempo defende o ponto h2. 1...Txg4! [1...Bf6 2.d6!; 1...Bd6 2.e5 com vantagem das brancas em ambos os casos. A continuação elegida pelas pretas havia igualmente sido calculada por Alekhine. ] 2.fxg4 Txf1+ 3.Rg2 Dxh2+ 4.Rxf1 esta posição em que Alekhine tem a qualidade de vantagem, havia sido estimada favorável no cálculo anterior. Por aqui ficou claro para ambos os jogadores que as manobras não haviam terminado, e sim somente começado. As pretas têm a sua disposição uma variante forçada de 16 jogadas, que inclusive um jogador de combinação tão genial como Alekhine não conseguiu prever neste caso. 4...Dh1+ 5.Rf2 Bd4+ 6.Rg3 Dg1+ 7.Rh3 Df1+ 8.Tg2 Dh1+ 9.Rg3 De1+ 10.Rh3 g5 11.Tc2 Df1+ 12.Rh2 Dg1+ 13.Rh3 Dh1+ 14.Rg3 Dd1!! 15.Tc3 Dg1+ 16.Rh3 Df1+ 17.Rg3 Bf2+ 18.Rf3 Bg1+ 0-1


Capablanca - Alekhine [D63]
Buenos Aires, 1927
1.d4 d5 2.c4 e6 3.Cc3 Cf6 4.Bg5 Cbd7 5.e3 Be7 6.Cf3 0-0 7.Tc1 a6 8.a3 A abertura jogada é chamada Gambito da Dama - Variante Ortodoxa. a proposta escolhida por Capablanca é demasiado calma e permite ao jogador de pretas a desenvolver rapidamente a ala da dama. 8...h6 9.Bh4 dxc4 10.Bxc4 b5 11.Be2 Bb7 12.0-0 c5 13.dxc5 Cxc5! a posição tem um caráter bastante tranqüilo, mas também aqui se tornam necessárias as reflexões de ordem tática. 14.Cd4? [>=14.Bxf6 gxf6 (14...Bxf6 15.Cxb5! Dxd1 16.Tfxd1 Cb3 (16...axb5 17.Txc5 Bxb2 18.Txb5 Bxf3 19.Bxf3 Tab8 20.a4 e as brancas conservam o peão a mais. ) 17.Tc7 Bxf3 18.Bxf3 axb5 19.Bxa8 Txa8) ] 14...Tc8 15.b4?
15...Ccd7! 16.Bg3 Cb6 17.Db3 Cfd5! 18.Bf3 Tc4! 19.Ce4 Dc8 20.Txc4? Cxc4 21.Tc1 Da8! 22.Cc3 Tc8 23.Cxd5 Bxd5 24.Bxd5 Dxd5 25.a4
25...Bf6! 26.Cf3 Bb2! 27.Te1 Td8 28.axb5 axb5 29.h3 e5! 30.Tb1 e4 31.Cd4 Bxd4 32.Td1 Cxe3! 0-1

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ESTUDO DA TÁTICA III



OS PRINCIPAIS ELEMENTOS DE UMA COMBINAÇÃO

Ao chegar a cabo uma manobra forçada, ou seja forçar o oponente a dar a única resposta em todas ou várias variantes. É lógico que uma partida prática só uma desta variantes se dar sobre o jogo e as restantes são calculadas mentalmente.  Pois cada uma destas variantes o bando ativo cria ameaças e força réplicas definidas até que a variante chegue a ganhar alguma vantagem. Esta vantagem pode ser mate, o ganho de um material de maior valor (da dama; da torre; de um peão; etc.) ou por melhorar uma posição das próprias peças ou peões, ou piorar a posição das peças adversárias ou peões. Desde logo uma vantagem somente se obtém quando se joga uma manobra forçada correta ou combinação correta. As características que regulam a possibilidade de jogar uma manobra forçada ou combinação as chamamos de motivos. Há de encontrar um modo de obter uma vantagem, explorando para este propósito os motivos presumíveis, isto é, achar linhas concretas que conduzam a uma vantagem. Em qualquer combinação que é fundamental o sacrifício há duas linhas concretas que se compõe de duas fases. Antes de tudo por meio de um sacrifício, se realiza um pensamento definido que nós chamamos de idéia da combinação.
Estas idéias têm o objetivo a transformação dos motivos de uma maneira tal como para obter uma posição na que novos motivos sejam explorados com uma manobra forçada ou com um certo movimento para adquirir vantagem.

O SACRIFÍCIO COMO ELEMENTO PRINCIPAL DE UMA COMBINAÇÃO

Pelo trato da posição inicial  para a posição final pode haver uma série de movimentos  transformadores que mudam a idéia ou o tema combinatório. Para haver combinação tem de haver um conjunto de lances , forçados, que levam alguma vantagem, ou tenha uma  idéia ou motivo e principalmente haver o sacrifício para isto.
As principais idéias ou temas de combinação, podemos classificá-las em vários tipos. Toda a idéia ou motivo de combinação , nasce da debilidade da posição adversária.
São muitos os tipos de combinação enumeremos agora, segundo critérios de idéias ou temas:
1-Ataque Duplo
2-Ataque Descoberto
3-Cravada
4-Desvio
5-Encaminhamento
6-Intercepção
7-Eliminação da Defesa
8-Despejo do Espaço
9-Bloqueio
10-Ataque Raios X
11-Sobrecarga de Peça
12-Jogada intermediária
13-Promoção do Peão
14-Peão Passado
15-Demolição da Estrutura de Peões
16-Perseguição

Manobra Forçada



Esta posição é um exemplo de manobra forçada, mas não é uma combinação, porque nela não está inserida o sacrifício. 1.f6 g6 2.Dh6 1-0




Manobra forçada de Capablanca
Capablanca começa agora uma instrutiva manobra forçada. 1.Cc3 Tc5 2.Ce4 Tb5 3.Ced6 Tc5 4.Cb7 Tc7 5.Cbxa5 O objetivo dessa manobra era ganhar o peão de a5. O que foi realizado com uma sequêüncia de lances forçados, sem sacrifícios que na totalidade reduziu uma impressão estética. 1-0

domingo, 5 de dezembro de 2010

ESTUDO DA TÁTICA II


O QUE É UMA COMBINAÇÃO ?

A maioria dos trabalhos que se ocupam com o aspecto tático do xadrez, são consagrados a combinação, que, sem dúvida, constitui o elemento mais importante da tática e ao mesmo tempo o mais interessante. Somente nos últimos tempos foram abordados outros aspectos da tática fazendo-se uma diferença sobre a combinação propriamente dita e a manobra tática.


Que é a combinação no xadrez?


A resposta a essa pergunta não é muito simples de ser dada, pois vários grandes jogadores e analistas do xadrez estudando esse problema chegaram a conclusões parecidas, porém não idênticas, sobre o tema. resumiremos algumas delas.

Em seu trabalho “Manual de Xadrez”, Manuel Lasker, campeão mundial , entre 1894 e 1921, aborda este tema explicando que “em certas posições existam certos lances, chamados forçantes, que criam ameaças inesperadas e fortes, por exemplo: ameaças de mate, de tomada de peça ou coroação de um peão. O objetivo desses lances é trocar todos os valores naturais. Para contra-atacar esses lances forçantes o adversário tem à disposição lances de defesa igualmente forçantes. Deste jeito o ataque, o contra-ataque, a defesa formam uma seqüência, as vezes simples, as vezes mais complexas, chamada variante. Quando essas seqüências se ramificam, por exemplo quando existem dois ou mais meios de defesa se pode falar em cadeias de variantes”. Depois dessa definição de variante Lasker passa a definir combinação da seguinte maneira: “se um grupo de variantes contém em si o resultado concreto que merece atenção então a totalidade dessas variantes se chama combinação”.

Como podemos perceber, Lasker trata a combinação exclusivamente do ponto de vista de um jogador prático. Não o preocupa o fato de existir ou não na combinação o sacrifício como elemento constitutivo. Uma outra explicação sobre combinação foi dada por outro ex campeão mundial, Dr. Max Euwe entre 1935 e 1937, que em seu artigo “Estratégia e Tática” publicado em Amsterdã em 1935 dizia que “se partimos do ponto de vista que por estratégia se entende estabelecer um plano e por tática realizá-lo, então a combinação deve ser considera como a mais alta manifestação de tática. Por combinação se cria uma etapa especial e curta da partida onde se atinge forçado um objetivo precioso. Nesta etapa da partida os lances formam uma seqüência lógica e se encontram numa ligação indissolúvel um após o outro”. Euwe trata também da característica estética da combinação: “combinações provocam sempre uma expressão estética. O modo em que as coisas incríveis se tornam inesperadamente evidentes e o fantástico se torna realidade, exerce sobre os enxadristas um incrível fascínio...”

Uma opinião não tão “catedrática” mas eloqüente citou o conhecido grande mestre Tartakower que com seu habitual humor definiu a combinação como “uma faísca divina que encontra-se fora do jogo de xadrez e que de fato, despreza aqueles princípios sobre tempo, espaço, material e lógica que gostariam de conduzir o jogo exclusivamente...” ( publicado em Berlim, 1928, no livro “Schachmethodik”).

Podemos perceber que o elemento estético é também um fator importante nas combinações. A maioria das combinações, se caracterizam por um elemento que lhes é comum, isto é, o sacrifício. Sacrifício representa o rompimento temporário do equilíbrio quantitativo com o objetivo de obter vantagem material e posicional ou uma definição imediata da partida (mate, xeque perpétuo, afogado, etc).

Aceitando a tese de que o elemento estético é indissoluvelmente ligado a uma combinação é fácil entender porque a maioria dos analistas considera o sacrifício como parte obrigatória da combinação. A combinação é, então, considerada o cume da habilidade tática, representando de fato, uma resolução rápida, precisa e definitiva do problema estratégico contido na posição. Em geral, as mais bonitas combinações contêm normalmente sacrifícios diversos. Existem, entretanto, combinações sem sacrifícios, mas, neste caso, o complexo de lances deve ser forçado e deve produzir uma impressão estética.

A manobra tática significa exatamente este caso onde temos um objetivo claro realizado através de lances forçados, mas onde não se produz o sacrifício. Essa manobre tática se encontra freqüentemente na terminologia enxadrística sobre o nome de seqüência forçada.

Resumindo podemos dizer que combinação é um elemento principal da tática na qual a parte ativa obtém uma vantagem objetiva, com a ajuda de uma série de lances forçados (com ou sem sacrifícios) que na totalidade possui uma impressão estética.

 
Análise das fases de uma combinação

Fazendo uma análise de qualquer combinação conhecida, podemos constatar que a realização desta tem que passar, do ponto de vista analítico, pelas seguintes fases:
1. Estabelecer a existência de premissas favoráveis que torna provável a existência de uma combinação numa certa posição.
2. Estabelecer a idéia (tema) principal da combinação.
3. Calcular concretamente a série de lances (variantes e sub-variantes) que forma a combinação.
4. Apreciar as conseqüências reais da combinação.

Estas etapas resumem o processo de pensamento efetuado por um jogador que faz uma combinação. Durante uma partida é claro que estas etapas se sobrepõem, e o esforço recai especialmente sobre os dois últimos tópicos (cálculo e apreciação). Os bons jogadores táticos conseguem, devido ao talento e experiência, perceber quase instintivamente, a presença das combinações em diversas posições, especialmente se elas decorrem logicamente do desenvolvimento normal do plano estratégico.

Podemos dividir as combinações em duas grandes categorias em função de como aparecem na partida de xadrez:
1. Combinações que surgem como conseqüência lógica de um plano estratégico bem elaborado.
2. Combinações que aparecem “ao acaso”.

As combinações do primeiro grupo são conseqüência de um plano estratégico complexo bem elaborado e a sua realização é apenas o desfecho natural desse plano.

Já no segundo grupo temos combinações muito mais difusas. O nome “ao acaso” não tem nem de longe a intenção de diminuí-las, pois estas combinações podem aparecer em qualquer momento devido às infinitas opções táticas que contém o xadrez. Na base de uma partida qualquer descuido, qualquer erro, qualquer cálculo descuidado ou superficial das variantes podem dar chance ao adversário de realizar um golpe tático inesperado.

Então resumindo o conceito de combinação diríamos que : “ A Combinação é uma variante Forçada, com Sacrifício de Material, conduzindo a um Resultado Positivo”.

Classificação das combinações

Classificação por códigos, muitas vezes são usadas na revista Iugoslávia
“ Sahovski Informator “  e tal combinação não se relaciona com as características da posição.
A classificação temática, acho mais pedagógica e compreensível, destacarei duas que vê o caráter  analítico da posição:

1-    I       -     Combinações com ataque de mate.
II      -    Combinações para conseguir empate.
III    -    Combinações que conduzem a vantagem material.
IV    -    Todas as demais combinações.
 
2-    a  -   Destruição da defesa
b  -   Bloqueio
c  -   Liberação de espaço
d  -   Desvio
e  -   Ataque descoberto
f   -  Cravada
g  -   Demolição da estrutura de peões
h  -   Atração
i   -   Intercepção
j   -   Ataque duplo
k  -  Abertura de linhas (coluna ou diagonal)
l   -  Movimento intermediário
mPromoção de peão
n  -  Conjunto de métodos táticos.
o  -  Xeque – perpétuo
p  -  Afogamento do rei
q  -  Ataque de raio - X

QUADRO II

MOTIVOS TÁTICOS

ATAQUE DE MATE
GANHO DE MATERIAL
POSICIONAL
EMPATE
Tipos de Mate
Ganho de Uma Peça Sem Defesa
Criação de Um Peão Passado
Empate Por Afogamento
Mate Afogado
Ameaça inadvertida

Posto Avançado do Cavalo
Xeque Perpétuo
Mate do Passeio

Duplo de Cavalo
Torre na Sétima
Redução a Finais Teóricos de Empate
Dois Cavalos e Rei Contra Rei
Bispo Mal e Peão de Torre

Perseguição do Rei

Garfos e Outras Forquilhas
Simplificação ou Liquidação com Vista a um Final Ganho
Xeque Duplo e  Descoberto
Cravadas
Destruição da Estrutura  de Peões
Duplo Sacrifício
De Torre
Peça Sobrecarregada
Controle do Centro
Duplo Sacrifício de Bispo

Peça Desesperada
Obtenção do Par de Bispo
Ataque a Um Ponto Fraco
(Qualquer Casa Só Protegida Pelo Rei)
Coroação ou Promoção
Do Peão
Troca Oportuna de Damas
Sacrifício Clássico de Bispo

Ataque Descoberto

 
O primeiro exemplo apresenta a clássica combinação efetuada por Botvinnik em sua partida contra Capablanca no torneio internacional de Amsterdã em 1938.

Botvinnik - Capablanca
Amsterdã, 1938


Botvinnik teria a possibilidade de jogar uma forte manobra 1.Ce2 seguido de 2.Cf4 com excelentes possibilidades. Em vez disto começou uma combinação com sacrifícios, calculando mais de dez lances, sendo este não só o mais bonito, mas também o mais efetivo meio de obter-se a vitória. 1.Ba3!! Dxa3 2.Ch5+! gxh5 3.Dg5+ Rf8 4.Dxf6+ Rg8 5.e7! Dc1+ 6.Rf2 Dc2+ 7.Rg3 Dd3+ 8.Rh4 De4+ 9.Rxh5 De2+ 10.Rh4 De4+ 11.g4! De1+ 12.Rh5 e as pretas abandonaram. 1-0


Bernstein - Capablanca
Moscou, 1914

1...Db2!! na partida as brancas abandonaram aqui. [As pretas podem melhorar seu jogo após 1...Db1+ 2.Df1 Dxa2 (2...Td1?? 3.Tc8+ ambos têm fraquezas na última fila.) ] 2.Tc8!? [2.Tc2 Db1+ 3.Df1 Dxc2; 2.De1 Dxc3 3.Dxc3 Td1+ 4.De1 Txe1#] 2...Db1+ 3.Df1 Dxf1+ 4.Rxf1 Txc8 0-1
 
A prática há demonstrado que as mais bonitas e elegantes combinações são conseqüência da realização de um plano estratégico profundo. Apresentamos a seguir um exemplo clássico de combinação brilhante derivada de um plano estratégico bem elaborado. 1.d4 Cf6 2.c4 d6 3.Cc3 e5 4.Cf3 Cbd7 5.g3 g6 6.Bg2 Bg7 7.0-0 0-0 8.b3 Te8 9.e4 exd4 10.Cxd4 Cc5 11.Te1 a5 12.Bb2 a4 13.Tc1 c6 14.Ba1 axb3 15.axb3 Db6 a fase de abertura terminou já com algum sucesso para as pretas na realização do seu plano. Ao preço de uma só fraqueza(d6) suas peças ocupam posições favoráveis exercendo pressão sobre as casas pretas, especialmente d4. A coluna a estar em seu poder e o peão de b3 das brancas é fraco. Para obter contrajogo as brancas teriam que conseguir o avanço f4, porém isso é irrealizável. Na continuação as pretas aumentarão a pressão pelo bispo de g7. 16.h3 Cfd7 17.Tb1 Cf8 18.Rh2 h5! o começo de um plano de ataque muito original. As pretas obtiveram uma melhor posição de peças do ponto de vista de seu plano estratégico. O objetivo deste corajoso avanço é criar uma nova fraqueza na ala do rei branca, obtendo desta maneira, eventuais possibilidades de concretizar sua vantagem posicional através do caminho tático 19.Te2 h4 20.Td2

Pachman,L - Bronstein,D [E67]
Match - Moscou x Praga, 1946

Parece que as brancas têm defendidas todas as suas fraquezas. Mas como acontece frequentemente em posições nas quais a pressão posicional de uma das partes atingiu uma grande intensidade, é exatamente agora que aparece a possibilidade das pretas efetuarem uma combinação bastante bonita. Esta combinação é consequência lógica do jogo posicional das pretas que criou as premissas para a existência dessa combinação:as forças das brancas estão mobilizadas na defesa das fraquezas na ala da dama e no centro ao mesmo tempo que as peças pretas estão colocadas de tal modo que podem começar uma ação nas quais serão usadas todas as vantagens posicionais e o golpe principal será desferido na ala do rei. 20...Txa1!! As pretas calcularam uma série de variantes que as leva à vitória mesmo contra a melhor defesa das brancas. Essas variantes se baseiam na seguinte idéia combinativa: as pretas viram que depois de uma série de lances forçados a dama preta penetra em f2 com mate decisivo. Portanto, o tema dessa combinação é o ataque de mate contra enfraquecida do roque das brancas. 21.Txa1 Bxd4 22.Txd4 Cxb3 23.Txd6 Dxf2 24.Ta2 [este é o lance sutil em que se baseia toda a combinação das pretas. Agora as brancas não podem jogar 24.Dxb3 por causa da bonita variante 24...hxg3+ 25.Rh1 Bxh3 26.Tg1 Bxg2+ 27.Txg2 Df1+ 28.Tg1 Dh3# por isso as brancas não têm outra defesa a não ser a que tentaram na partida] 24...Dxg3+ 25.Rh1 Dxc3 a combinação das pretas terminou, elas obtiveram duas peças por torre e guadaram o ataque decisivo, que de fato ganhou a partida em alguns lances 26.Ta3 seria incorreto 26.Td3 por causa de 26....Dc1. 26.Ta3 Bxh3 27.Txb3 Bxg2+ 28.Rxg2 Dxc4 29.Td4 De6 agora a posição das brancas desmorona em dois lances porque seu rei está exposto em demasia 30.Txb7 Ta8 31.De2 h3+ e as brancas abandonaram. 0-1
 
Mostraremos a seguir, um exemplo de combinação "por acaso".

Bondarevsky - Ufimtzev
Leningrado, 1936

A possibilidade de uma combinação por parte das brancas é totalmente surpreendente. No tabuleiro restaram poucas peças, o rei preto está suficientemente defendido e na verdade as pretas venceriam, sem maiores dificuldades após 1....Tc3, porém um lance inesperadamente superficial foi jogado: 1...Bg2?? e agora a partida muda de rumo por completo. A possibilidade de combinação que se oferece é utilizada pela brancas e se baseia em uma idéia de mate característica de finais artísticos 2.Th8+ Rf7 3.Be8+!! inacreditável, o bispo é sacrificado forçando o cavalo preto a abandonar a casa f6. 3...Cxe8 4.Rg5 este é o ponto final da combinação. Não há defesa para o mate no próximo lance e percebe-se a razão do sacrifício do bispo em e8, pois se o cavalo preto estivesse em f6 poderia agora dar um xeque salvador ao rei branco. Nota-se também, porque o lance 1....Bg2 foi um erro, pois abriu as chances de dar xeque em h8, além de obstruir a casa de xeque da torre preta em g2. Uma combinação original e elegante que tem como tema a expulsão das peças defensoras, que será estudado em outra ocasião. 1-0


Torre,Carlos - Lasker,Emanuel
Moscou, 1925

Parece que as pretas podem contentar-se com a situação presente, mas um sacrifício brilhante e inesperado do bispo branco altera a situação de modo drástico, possibilitando a execução de uma combinação que é conhecida como "pêndulo", "Máquina" ou "Moinho". 1.Bf6!! Dxh5 2.Txg7+ Rh8 3.Txf7+ Rg8 4.Tg7+ Rh8 5.Txb7+ Rg8 6.Tg7+ Rh8 7.Tg5+!

Torre,Carlos - Lasker,Emanuel
Moscou, 1925

Depois de uma série de xeques descobertos a torre motilou todo o exército preto, ao longo da sétima fileira, e agora a dama preta também perece. 7...Rh7 8.Txh5 Rg6 9.Th3 Rxf6 10.Txh6+ as brancas com dois peões a mais, venceram com facilidade. 1-0


Steinitz - Bardeleben,C
Hastings, 1895

1.Tf7+ Rg8 2.Tg7+ Rh8 [2...Rf8 3.Cxh7+ Re8 4.Cxf6+ Rd8 5.Dxd7#; 2...Dxg7 3.Txc8+ Txc8 4.Dxc8+ Df8 5.Dxf8+ Rxf8 6.Cf3+-] 3.Txh7+ Rg8 4.Tg7+ Rh8 5.Dh4+ Rxg7 6.Dh7+ Rf8 7.Dh8+ Re7 8.Dg7+ Re8 9.Dg8+ Re7 10.Df7+ Rd8 11.Df8+ De8 12.Cf7+ Rd7 13.Dd6# 1-0