sábado, 15 de setembro de 2012

O RELÓGIO E O TEMPO

"Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem." 
 Marcel Proust



Há duas formas de marcar o tempo. Uma delas foi inventada por homens que amam a precisão dos números, matemáticos, astrônomos, cientistas, técnicos. Para marcar o tempo de forma precisa, eles fabricaram ampulhetas, relógios, cronômetros, calendários. Nesses artefatos técnicos todos os pedaços do tempo – segundos, minutos, dias, anos – são feitos de uma mesma substância: números, entidades matemáticas. Não há inícios nem fins, apenas a indiferente sucessão de momentos, que nada dizem sobre alegrias e sofrimentos. Apenas um bolso vazio. Nele, a alma não encontra morada. A outra foi inventada por homens que sabem que a vida não pode ser medida com calendários e relógios. A vida só pode ser marcada com a vida. A vida passa e, passa depressa, impossível correr atrás do tempo perdido e alcançá-lo para recuperar o que esvaiu-se; resta-nos a possibilidade de pensar e lembrar, imediatamente você percebe que o tempo continua caminhando, você não pode pará-lo, mas você pode fazê-lo valer a pena e ser inesquecível.

 OS EFEITOS DA PRESSÃO DO TEMPO NOS GRANDES MESTRES