quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

QUANDO TROCAR PEÇAS (4)

ELIMINAÇÃO DE PEÇAS CHAVES
Um das mais comuns formas de trocas de peças, é quando um dos lado está mirando eliminar uma peça inimiga específica. A motivação pode ser de longo prazo (por exemplo, para deixar o adversário com o bispo "mau") ou de curto prazo (por exemplo, se livrar de sua peça mais ativa). Aqui vamos dar uma olhada no primeiro caso. 
Piket contra Timman,  pelo campeonato holandês em 1996, Piket realiza a troca do bispo bom de Timman, levando a fraqueza das casas brancas das pretas.



Smyslov foi o melhor jogador da década de 50.

Aqui um exemplo que ilustra nosso tema tratado.


Karpov nesta partida mostra sua brilhante técnica de dominação de Bispo Bom contra Bispo Mau. Esta partida contra Joel Lautier tornou-se um verdadeiro clássico deste tema.


Vídeo com comentários em Inglês, mostrando o final desta partida.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

QUANDO TROCAR PEÇAS (3)

REALIZAR UMA VANTAGEM POSICIONAL
É mais fácil de obter a superioridade alcançada durante a abertura ou meio jogo com trocas no momento oportuno e ir ao final para aproveitar uma superioridade posicional com qualquer dos fatores da posição - como a presença de um peão passado, par de bispos, vantagem de espaço, posição de uma peça mal localizada, falha irremediável na estrutura de peões e outro fator posicional qualquer que apresente ser aproveitável na ocasião.
SUPERIORIDADE DE ESPAÇO
Veja nesta instrutiva partida como Petrosian vai lentamente deixando Mecking sem espaço, até efetuar mais trocas para ganhar mais espaço ainda, sufocando seu adversário para a penetração do rei pelas casas negras levando ao colapso a posição de Mecking.


SUPERIORIDADE DO BISPO CONTRA CAVALO
Fischer no auge de sua criatividade enfrentou, em Vancouver o Grande Mestre Ucraniano Taimanov pelo match de candidatos em 1971. Fischer venceu por 6 a zero. Aqui vamos ver como Fischer através de trocas, simplifica a posição para fazer valer a superioridade do bispo sobre o cavalo.

                               O GM Amador Rodriguez comenta o final da partida acima.

SUPERIORIDADE DO PAR DE BISPOS
Pachenko em pé olhando a partida de Petrosian contra Tal em Sochi 1977.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

QUANDO TROCAR PEÇAS (2)

REALIZAR UMA VANTAGEM MATERIAL
Um dos primeiros princípios estratégicos ensinados a os novos jogadores de xadrez é que, quando você tem mais material, troque peças ! Assim, somos capazes de reduzir o contra jogo do adversário e simplificar para um final de jogo, onde a vantagem material pode ser mais facilmente realizada. Um dos aspectos da prática enxadrística, onde as trocas tem um papel muito importante, é o processo de impor uma vantagem material.
Fischer e Lombardy foram adversários no tabuleiro, mas permaneceram grandes amigos, inclusive ajudando Fischer em 1972, a ir para a Islândia e também serviu como assistente pessoal de Bobby.

Simplificar uma posição é um dos principais métodos para obter uma vantagem. Especial importância tem quando o fim esperado é uma superioridade material. Em muitos casos, as simplificações são mais vantajosas quando se utiliza um sacrifício material que você chega a ter uma certa recompensa na forma de posição ativa e tecnicamente ganhadora. Foi o que Fischer fez neste caso, sendo o método mais eficaz para neutralizar a iniciativa do adversário.


Fischer contra Unzicker no torneio de Zurich em 1959, uma aula de Fischer na Ruy Lopez. Esta partida está no livro " Minhas 60 Melhores Partidas" de Bobby Fischer.


Partida comentada em Inglês


Karpov foi campeão mundial de xadrez, de 1975 a 1985, ficando durante dez anos consecutivos com o título mundial. É considerado por muitos como um dos maiores jogadores de todos os tempos. Abaixo mostraremos duas partidas de Karpov que ilustram o tema das trocas de peças para impor a vantagem material.



TRÓIA


Na Grécia antiga, a paixão de um dos casais mais lendários da História, Páris, príncipe de Tróia (ORLANDO BLOOM), e Helena (DIANE KRUGER), rainha de Esparta, desencadeia uma guerra que irá devastar uma civilização. Páris rouba Helena de seu marido, o rei Menelau (BRENDAN GLEESON), e este é um insulto que não pode ser tolerado. A honra da família determina que uma afronta a Menelau seja considerada uma afronta a seu irmão Agamenon (BRIAN COX), o poderoso rei de Micenas, que logo une todas as tribos da Grécia para trazer Helena de volta, em defesa da honra do irmão


sábado, 22 de fevereiro de 2014

QUANDO TROCAR PEÇAS (1)

ESTRATÉGIA GERAL E A CLASSIFICAÇÃO DOS MOTIVOS
A troca de peças é uma ideia importante , em qualquer fase do jogo , que pode ter um enorme impacto sobre o equilíbrio estratégico . Nimzowitsch foi o primeiro a descrever o valor das trocas em sua obra "Meu Sistema" . Ele dedica um pequeno capítulo as questões dos motivos das trocas. Para o Mestre, as trocas surgem por si mesmo e quando parecem desejáveis caem como frutas maduras para se colher o melhor da posição. Aqui vamos ampliar o assunto e classificar as seguintes razões para se efetuar as trocas: 1) Realizar uma vantagem material; 2) Realizar uma vantagem posicional; 3) Eliminar peças chaves; 4) Facilitar um ataque; 5) Facilitar uma defesa; 6) Reduzir atividade inimiga; 7) Múltiplas trocas e 8) Trocas dinâmicas.

MAGNUS CARLSEN E OS SEGREDOS DAS TROCAS
Carlsen é muito bom nesse tema das trocas, pois tem um sentido incrível para levar a posição para uma clara vantagem e sem contra - jogo para o adversário. Abaixo algumas partidas do Torneio Morelia/Linares 2008 em que Carlsen consegue mudar o rumo da posição após as trocas de peças. 
Ele se sente muito bem em posições de poucas peças. Vai melhorando sua posição devagar e espera o adversário entrar em colapso.

Carlsen, com uma série de trocas, simplifica para um final melhor. 
Ele pressiona o adversário até o final , mas Ivanchuk defende bem e empata.



Carlsen usa a Defesa Alekhine para Ganhar de Topalov, nesta partida Magnus realiza uma combinação baseada nas trocas para ganhar material.


Na partida seguinte Carlsen tem uma escolha a fazer. Ele pode trocar para um final pior, com uma torre de duas peças ou manter as coisas vivas em uma posição pior no meio jogo. A primeira escolha, especialmente contra um jogador como Ivanchuk será apenas um sofrimento sem fim. Por outro lado, o meio jogo é pior do que o final objetivamente, mas o adversário tem chances de errar. Carlsen opta por manter as coisas complicadas o suficiente para em alguns movimentos Ivanchuk errar, por apuros de tempo, e ver a vantagem escorregar de suas mãos e Carlsen ganhar.


Veja o desespero de Ivanchuk no final desta partida.

Carlsen conduz um final em que as brancas tem dois peões passados na ala da dama. Carlsen melhora sua posição, trazendo o rei e centraliza as peças, em seguida, começa a avançar seu peão passado, Shirov vai ficando mais desesperado até errar, deixando Carlsen coroar o peão e ganhar o jogo.

Veja o dramático final deste jogo.